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Cada manhã o alvoroço da luz


Me acorda: a luz atravessa a paisagem e a casa!


– A dormir tinha esquecido não as coisas


Mas sua meticulosa beleza


Múltipla


 


No princípio Deus disse


Faça-se a luz


E com a luz da manhã o mundo principia


Digo a luz e não o sol


Nos dias de nevoeiro emergem formas brancas


Aqui e além como se vogassem


Numa deriva cismadora e serena


Nos dias de sol os ciprestes enegrecem


E ao longe brilha o regozijo das vidraças


 


Sophia de Mello Breyner Andresen 

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