sementes abertas ao vento





orquidea1.jpg



 

A verdadeira mão que o poeta estende

não tem dedos:

é um gesto que se perde

no próprio acto de dar-se



O poeta desaparece

na verdade da sua ausência

dissolve-se no biombo da escrita



O poema é

a única

a verdadeira mão que o poeta estende



E quando o poema é bom

não te aperta a mão:

aperta-te a garganta



 

Poema de Ana Hatherly

 

 




orquidea.jpg



 

 



Peço a paz

e o silêncio



A paz dos frutos

e a música

de suas sementes

abertas ao vento



Peço a paz

e meus pulsos traçam na chuva

um rosto e um pão



Peço a paz

silenciosamente

a paz a madrugada em cada ovo aberto

aos passos leves da morte



A paz peço

a paz apenas

o repouso da luta no barro das mãos

uma língua sensível ao sabor do vinho

a paz clara

a paz quotidiana

dos actos que nos cobrem

de lama e sol



Peço a paz e o

silêncio

 

 



Poema de Casimiro de Brito

Comentários

  1. Bonitos poemas.
    Mais os zangões: alma de Páscoa rondando as glicinias da nossa terra.
    Uma boa noite.

    ResponderEliminar
  2. Poemas encantadores de ler. Sublime fascínio poético
    .
    Cumprimentos cordiais
    .

    .

    ResponderEliminar
  3. Onde estão os óculos João?
    São orquídeas selvagens da Arrábida, são tão pequenas que é preciso estarmos atentos para conseguirmos dar por elas, é deveras encantador descobri-las.
    Para ver mais aqui: https://www.wilder.pt/diversoes/armando-fez-um-guia-de-campo-para-nos-mostrar-as-orquideas-da-arrabida/
    Ou ainda para descobrir onde procurá-las: https://flora-on.pt/#/1orquideas
    Uma boa noite.

    ResponderEliminar
  4. Então e as flores? A fotografa esforçou-se.

    ResponderEliminar
  5. Verdade, e eu que gosto tanto... fiquei enebriada pelos poemas, mas as flores são lindíssimas.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário