Normalidade

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Ilustrações Feras Sobh


Normalmente as riscas lembram-me de normalidade, o normal de estarem acima e abaixo umas das outras, criando padrões parados ou dinâmicos. O normal de uns acima da normalidade de outros. A normalidade formal. A norma que se junta a outra já instituída. A normalidade da boa aparência seguida de boa gente. Normalmente pela boca morre o peixe. Normalmente o fraco cala-se. Quando a normalidade se acentua o fraco grita. Cria fôlego, pisa a risca. Risca-se a normalidade quando se pinta a risca. De riscas é feita uma pauta, com pausas riscadas. 


 


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Sonhei que o meu sonho tinha riscas, cheias e largas, por onde em podia flutuar como se navegasse. E o meu barco era eu, meu corpo eram as tábuas que se erguiam completando um mastro, riscadas eram as velas nos meus braços. Navegando num mar de Verão, branco e azul, azul e branco de todos os tons. Naquele mar flutuante que não conhecia marés, nem brisa, nem sol, nem vento, apenas as riscas serpenteavam conforme eu me movia. Abaixo e acima, por dentro e por fora, sem fim, não sabendo o começo, as riscas continuavam sempre sem saírem do lugar fazendo crescer a normalidade.  


 


 

Comentários

  1. Cantava o artista..
    .
    Navegar navegar
    Mas ó minha cana verde
    Mergulhar no teu corpo
    Entre quatro paredes
    Dar-te um beijo e ficar
    Ir ao fundo e voltar
    Ó minha cana verde
    Navegar navegar
    ...
    Gostei muito da imagem em movimento
    Cumprimentos

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  2. Essa normalidade é fatal e incapacitante.
    O azul branco ondeia, cria riscos, quer vida.
    Oxalá os ventos ajudem.
    E uma boa noite

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  3. Excelente reflexão, Alice

    Beijinhos
    Feliz Dia

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  4. Boa noite,

    para já os meus parabéns por ser o blogue da semana no Delito.
    É uma enorme rampa de lançamento.
    Se as riscas fossem verdes...
    Belíssimo texto!

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