Viver livres


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Há momentos em que me sinto livre, são momentos fugazes em que o meu cérebro me leva aonde fisicamente é impossível estar neste tempo agrilhoado na situação pandémica.  



 

Um dia, gastos, voltaremos

A viver livres como os animais

E mesmo tão cansados floriremos

Irmãos vivos do mar e dos pinhais.

.

O vento levará os mil cansaços

Dos gestos agitados irreais

E há de voltar aos nossos membros lassos

A leve rapidez dos animais.

.

Só então poderemos caminhar

Através do mistério que se embala

No verde dos pinhais na voz do mar

E em nós germinará a sua fala.

 

 

Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen, in Dia do Mar

 

Comentários

  1. Um poema muito bonito que muito gastei de ler
    Cumprimentos

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  2. Um poema de esperança...
    Ainda bem que o nosso cérebro é uma máquina de viajar no tempo e no até no espaço e nos leva onde os sonhos, às vezes, se recusam a levar-nos!
    Mena

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  3. A pandemia não nospode tolher a liberdade que é do espírito e de como ele se explica aos outros.

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  4. É sempre surpreendente ler Sophia, a simplicidade que embala a mente. Boa semana.

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  5. O cérebro comanda a vontade, e reúne toda a nossa essência.
    Um abraço.

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  6. Sim, não devemos deixar que isso aconteça, é necessário entender que "não há machado que corte a raiz ao pensamento".

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