Vermelhinhas

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Ilustração Ada Breedveld 


 


As maçãs adoram


fazer escuridão.


Cobrem o rosto e


agonizam, indefesas


sobre um prato


 


Se mordidas


com força, sua


argúcia se perde,


voam ao vento


e ruborizam


de vergonha.


 


As maçãs têm


olhos, mas ninguém


percebe. Franzem


sobrancelhas, sentem


frio, se soerguem


e interrompem sem


coragem de falar.


 


Quando tristes,


se estragam mais


depressa. Perdem


a avidez na terra


extensa do incerto,


morrem de vergonha,


 


nuas, mas vestidas.


 


 


Poema de Jorge Lucio de Campos


 

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