Descanso

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Ilustração Alice Caldarella


 


Apesar do descanso dos dias sinto-me cansada, exausta de pensar, pensar que não quero a vida que tinha, não quero aquela azáfama desvairada e já sem retorno. Finalmente dei-me conta do quanto estava cansada, e da minha insistência em não descansar. Um outro eu espreita e toma conta do meu cérebro, um eu mais egoísta, mais exigente, menos compreensivo com as desculpas. Esta mudança de pele é complexa, ouvi dizer que as cobras ficam mais agressivas quando mudam de pele, talvez fiquem assim para protegerem a sua nova camada ainda jovem e sensível. 


 


Como li aqui: "Sair é uma interrupção. Um parágrafo que nos dá fôlego para o parágrafo seguinte." Que frase tão boa de se ler. Sair de mim também pode ser uma interrupção, que seja para a minha vida seguinte.


 

Comentários

  1. Por vezes, é preciso ser egoísta.
    Nem sempre é mau. O egoísmo só é mau, quando prejudicamos conscientemente outros. Fazer algo de bom para nós não é mau, não temos de sentir culpa.

    Transformações são difíceis, sim. É difícil constatar que nos esquecemos de nós próprios e que já não há desculpas para o fazer.

    Vá em frente, Alice, vale a pena!

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  2. 💚 um parágrafo com palavras inspiradoras. Uma muda retemperadora: a nova pele é sensível, mas endurece rápido :)

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  3. Sim não é mau ser-se egoísta sem prejudicar os outros. Não é bem culpa, é mais a força do hábito (ou talvez seja culpa, mas às vezes a única energia que sobra tem de ser para nós, se a partilharmos demasiado podemos ficar sem nenhuma)

    Obrigada pela força, Cristina.

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  4. Soube-me tão bem ler essa frase. Serviu de alavanca. O Verão há-de endurecê-la.

    Obrigada.

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  5. Talvez seja a oportunidade! Mas, para isso tem de a apanhar.

    Bom resto de fim-de-semana

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