
Ilustração Alice Caldarella
Apesar do descanso dos dias sinto-me cansada, exausta de pensar, pensar que não quero a vida que tinha, não quero aquela azáfama desvairada e já sem retorno. Finalmente dei-me conta do quanto estava cansada, e da minha insistência em não descansar. Um outro eu espreita e toma conta do meu cérebro, um eu mais egoísta, mais exigente, menos compreensivo com as desculpas. Esta mudança de pele é complexa, ouvi dizer que as cobras ficam mais agressivas quando mudam de pele, talvez fiquem assim para protegerem a sua nova camada ainda jovem e sensível.
Como li aqui: "Sair é uma interrupção. Um parágrafo que nos dá fôlego para o parágrafo seguinte." Que frase tão boa de se ler. Sair de mim também pode ser uma interrupção, que seja para a minha vida seguinte.
Por vezes, é preciso ser egoísta.
ResponderEliminarNem sempre é mau. O egoísmo só é mau, quando prejudicamos conscientemente outros. Fazer algo de bom para nós não é mau, não temos de sentir culpa.
Transformações são difíceis, sim. É difícil constatar que nos esquecemos de nós próprios e que já não há desculpas para o fazer.
Vá em frente, Alice, vale a pena!
💚 um parágrafo com palavras inspiradoras. Uma muda retemperadora: a nova pele é sensível, mas endurece rápido :)
ResponderEliminarSim não é mau ser-se egoísta sem prejudicar os outros. Não é bem culpa, é mais a força do hábito (ou talvez seja culpa, mas às vezes a única energia que sobra tem de ser para nós, se a partilharmos demasiado podemos ficar sem nenhuma)
ResponderEliminarObrigada pela força, Cristina.
Soube-me tão bem ler essa frase. Serviu de alavanca. O Verão há-de endurecê-la.
ResponderEliminarObrigada.
Talvez seja a oportunidade! Mas, para isso tem de a apanhar.
ResponderEliminarBom resto de fim-de-semana
Estou atenta.
ResponderEliminarObrigada, igualmente.