
Ilustração Dilka Bear
Às vezes o que parece fácil não é, nem o que parece difícil, o que há é falta de vontade.
A papoila tem o tom vermelho, rubro da festa em brasa.
E, no verde manso do trigal - se aparece
É o grito que contesta a cor certinha o ondular cadente
ao toque do tempo - compassos do vento!...
É a gargalhada insólita, inesperada
que desfralda a revolta recalcada !
E... a papoila sabe!
Cativante! - Erótica, ao tacto macia...
tem toque de pele - morna como um ventre ...
tem toque de seda - um mole de veludo
- Um nada de cada - um pouco de tudo ...
Por isso, disfarça o olhar pestanudo
de estames fartos que o ópio perturba...
- Sabe-lhe o negrume e esconde-o bem
na cor escaldante que as pétalas tem.
- Bem de longe chama! - sou de sangue e lume!
- Sou de sangue e lume!...
- E, só se colhida - de morte já ferida
em requebro de tango, maldosa, perdida
sensual, pagã - confessa o ciúme
de usar veneno em vez de perfume.
Poema de Maria José Rijo
Que maravilha de poema, que me fez chegar o perfume da papoila e da esteva, numa mistura, vermelha e branca, a debruar a planície, repleta de espigas douradas, a cheirarem a pão quente.
ResponderEliminarGostei muito do poema e da ilustração!
ResponderEliminarSempre a descobrir coisas lindas para partilhar...
Mena
Clicando no nome da autora chegamos ao seu blogue, que por acaso é no Sapo. E o poema é realmente maravilhoso, parece um Tango, ora vai, ora vem.
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