#diariodagratidao 12-06-2019

papoilas.jpg


 


Ilustração Dilka Bear


 


Às vezes o que parece fácil não é, nem o que parece difícil, o que há é falta de vontade.


 


 


A papoila tem o tom vermelho, rubro da festa em brasa.


E, no verde manso do trigal - se aparece


É o grito que contesta a cor certinha o ondular cadente


ao toque do tempo - compassos do vento!...


É a gargalhada insólita, inesperada


que desfralda a revolta recalcada !


E... a papoila sabe!


Cativante! - Erótica, ao tacto macia...


tem toque de pele - morna como um ventre ...


tem toque de seda - um mole de veludo


 - Um nada de cada - um pouco de tudo ...


 


 


Por isso, disfarça o olhar pestanudo


de estames fartos que o ópio perturba...


- Sabe-lhe o negrume e esconde-o bem


na cor escaldante que as pétalas tem.


- Bem de longe chama! - sou de sangue e lume!


- Sou de sangue e lume!...


- E, só se colhida - de morte já ferida


em requebro de tango, maldosa, perdida


sensual, pagã - confessa o ciúme


de usar veneno em vez de perfume.


 


 


 


Poema de Maria José Rijo


 

Comentários

  1. Que maravilha de poema, que me fez chegar o perfume da papoila e da esteva, numa mistura, vermelha e branca, a debruar a planície, repleta de espigas douradas, a cheirarem a pão quente.

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  2. Gostei muito do poema e da ilustração!
    Sempre a descobrir coisas lindas para partilhar...
    Mena

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  3. Clicando no nome da autora chegamos ao seu blogue, que por acaso é no Sapo. E o poema é realmente maravilhoso, parece um Tango, ora vai, ora vem.

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