Fogueira das vaidades

Vezes sem conta é repetido o cenário de fogo que assola Portugal há semanas, enquanto o primeiro ministro e o presidente da república andam a banhos pelo reino dos algarves, entre copos de cerveja, para eles ficou para primeiro plano o anúncio da vinda do espectáculo da fórmula um, condiz perfeitamente com aquilo que se passa na actualidade: uma guerra não é uma guerra, é antes uma crise; um genocídio não é um genocídio é uma defesa de um país contra o terrorismo; um dos candidatos ao prémio nobel da paz é um dos gajos que faz negócios de armas e de moral duvidosa.


Por isso está tudo bem, e em perfeita harmonia com os valores que se querem para esta nova realidade.

Comentários

  1. Não temos dinheiro para prevenir, nem combater os incêndios. Mas , para eventos não falta: campos de futebol, autódromos .....
    Como é que poderíamos continuar a viver sem a formula 1?
    Se preferem gastar em eventos, em vez de infraestruturas, não se queixem por as praias terem de ser interditadas.

    Um abraço,

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  2. Engraçado não ter referido antes as festas (e festivais) que se fazem diariamente por todo o pais e bem carinhas, para isso já há dinheiro...

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  3. Um texto abrasivo, certeiro – e infelizmente bem atual. A fogueira arde cá dentro, enquanto os banhos, os brindes e os eufemismos vão substituindo o que devia ser nomeado com coragem. Há uma estranha harmonia entre a linguagem que disfarça e o mundo que se consome.

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