FOME como arma de guerra

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Imagem: Al-Rifi/ Reuters


 


Como animal somos uma espécie surpreendente, os anos passam e nada fica. Para que servem agora as palavras? Vivemos, outra vez, tempos de mentiras atrozes, com grandes líderes mesquinhos e mentirosos e pessoas - imensas - que gostam de acreditar neles. 


Assiste-se à banalização de assassínios impostos pela fome, não importa se são crianças ou não, não importam as imagens, porque poucas são capas de jornais/revistas ou abertura de telejornais.


Há uma futilidade generalizada e global, que chama a atenção para a corrida às visualizações e à estupidez, é mais visto e opinado como sendo um horror um homem e uma mulher, casados e amantes (a exemplo disso a corriqueira imagem dos que foram ver os Coldplay), do que guerras e injustiças sociais, desrespeito pelo meio ambiente e outros assuntos que poderiam levar a um mundo melhor. E grave é o facto de as redes sociais fecharem a partilha do que se passa nestas situações e darem voz aos escandalizados com traições domésticas levando até ao achincalhamento desmesurado dos visados e à demissão nos seus empregos. Estamos assistindo ao crescimento de uma estupidificação que encalha a evolução.


Se por um lado há que diga à boca cheia que tudo tem um propósito, esquecendo-se que existe a escolha, e que poderá haver várias formas de fazer o mesmo, por outro lado a guerra também é uma empresa que precisa de ser alimentada, gerida e de ter estratégia, e a do momento é matar à fome a maior quantidade de pessoas, e aumentar o ódio para criar mais terroristas para explicar o resto.


Este local não é
Próprio para plantar.
Aqui a terra é
Dura, seca, irritante –
Agulhas de folhas mortas
Arranham.
Fecho os olhos, o pó
Sufoca-me a garganta,
Nunca pensei que a terra
Pudesse ser tão pesada,
Talvez se eu
Levantar um braço
Alguém venha atravessar
Um dia a minha sepultura e,
Como nas noites dos filmes de terror,
Veja uma mão sem vida, uma palma aberta.
Dedos meio enrolados...
E grite.



Eu não morri nesse dia –
Outra coisa sucedeu
E ainda permanece
Na sepultura pútrida
Fermentando o conhecimento das trevas.


Poema de Hanan Ashrawi


 

Comentários

  1. Para os que ainda têm dúvidas quanto à natureza do Hamas...

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  2. A humanidade acabou, criou a IA, e nela delegou todas as suas competências, os monstros estão a executá-las.
    Boa semana, Alice!
    Um abraço.

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  3. Como chegamos a este ponto de indiferença e ignorância?
    Uma boa semana

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  4. Uma reflexão sobre a decadência ética e emocional do presente — onde a injustiça é normalizada, o fútil amplificado e o sofrimento enterrado em silêncio. Mas onde, mesmo assim, fermentam consciências inquietas.

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  5. É o que dá o terrorismo.
    Acho é muito mau as TVs mostrarem aquelas panelas de comida, é que se é para mostrar que passam fome, não mostrem as panelas...

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  6. Há muita fome na Guiné e em Moçambique e não passa na TV porquê?

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