Daqui até ao Natal - 7

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Se tudo que se pode revestir
da couraça inconsútil da palavra
fosse algo mais que um vácuo protegido
[...] falar seria sempre dizer,
dar nome à coisa não seria mais
que ver na superfície da semente
a planta por nascer; e a sensação
incômoda de estar a todo instante
em algum lugar – isso seria ser.



Paulo Henriques Britto, in Dos nomes 


 


Na verdade nunca entendi o menosprezo, de algumas pessoas, pelas pequenas coisas que nos acontecem no dia a dia, não fossem esses momentos os verdadeiros alicerces daquilo que nos sustem. O ridículo é chegar-se à recta final e ver que afinal os clichés são um padrão pelo qual temos de passar, por mais que alguém queira ser especial e único. 


O que é ser-se especial e único? É complicar, problematizar as escarpas das horas vagas? Tal e qual como o feitio especial, termo que geralmente se usa para definir e desculpar uma pessoa bera. E mais - a frontalidade, tema muito em voga, igualmente disfarçada de linguajar bruto, sem olhar a meios, como se os meros ouvintes fossem todos estúpidos. 


De repente torna-se ridículo quem não é especial, quem não responde, como se o silêncio não fosse ele também um cliché.


 

Comentários

  1. O Natal já não é o que era, mas quando vejo a palavra fico derretida. Interessantes estes posts - calendário. Estou a seguir.

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