Daqui até ao Natal não sei quantos dias são, o tempo a longo prazo tornou-se pouco importante, sendo o tempo uma coisa vaga que se agiganta - naquilo que for - quando menos gostamos, e diminui na proporção da sua importância motivadora e inspiradora, quer em termos intelectuais ou emocionais. O tempo como aquele pedacinho de um instante, como cometa de mil cores que parece passar suave perante a nossa admiração, num fascínio milenar, maravilhosamente encantador, que deixa cá dentro deste corpo terreno a imensidão do cosmos, tal como uma música que trespassa a pele e se incorpora na mais ínfima das células, para depois explodir como se fosse um bola de sabão, deixando salpicos finos como prova da sua brevíssima existência.
O tempo marca a existência deste blog há mais de quatorze anos, digitalmente um tempo longo, na realidade apenas um piscar de olhos, foram tantos os dias, numa velocidade furiosa e incontrolável a ampulheta da vida não pára, parecendo maior o espaço vazio e mais cheio aquilo que já foi, no entanto, o que resta assume uma importância maior, como num final de fogo de artifício, depois o silêncio, ou o vazio do som das cores e das luzes, vamo-nos então suavemente, tal como rastos de estrelas visiveis numa noite de Verão.
Há dez anos neste blog, registei a velocidade, e o Poeta Zarolho comentou dizendo: Velocidade da luz apenas alcançável por mentes brilhantes, como Einstein. Interessante a velocidade e o tempo caminham lado a lado. Fui então visitar o blog do Poeta Zarolho, e vi que o tempo parou por lá desde 2021, fico a pensar no que se passou desde então, e não sei nada, porque de repente somos e depois já não somos.
Estou aqui à beira mar
Estou aqui à beira mim
Nesta arte de abeirar
Sigo apenas porque sim
Sinto as brisas falar
Sei porque falam assim
Limito-me a escutar
Desconto o que é ruim
Sou aquilo que sonhei
E mesmo nada sabendo
No dia em que acordei
Logo fui percebendo
Que sabendo, nada sei
Que sem ser, lá fui sendo.
Poema retirado do Blog Poeta Zarolho
Faltam 127 dias para o Natal. Hoje é o 233, mais de metade já passou, todos vamos gastando os nossos dias, até um dia acabarem.
ResponderEliminarBom dia, Alice!
Um abraço.
Um blogue com muitos anos, que eu adoro visitar!!!
ResponderEliminarBeijinhos!!!
É verdade, José.
ResponderEliminarUm abraço
Obrigada, Maribel, andamos nisto lado a lado.
ResponderEliminarBeijinhos