Depois de tantos dias sem aqui escrever, eis que volto da viagem feita de silêncio e de descanso de palavras, feita de dias inteiros com exactamente vinte e quatro horas, de fins de semana com sábado e domingo. Vejo agora que foram iguais, as verdades e as mentiras, e que os dias e as noites nem sempre se assemelham àquilo que projectamos, para alguns as mentiras ditas dignamente sabem sempre a verdade. Digo dignamente como quem canta um refrão piedoso, feito de mão no peito e esmola ao pobre. Coisas do bem que fica bem, mas que não vão além. E fico sempre admirada com tal proeza, como se fosse a primeira vez. O que me encanta afinal? Talvez a fineza de tanta leviandade, de se repetir encarecidamente que é verdade.
Comentários
Só através do Impronuncialismo se consegue alcançar o para aquém e o para além das palavras.
ResponderEliminarAprecio dias leves e simples, ainda que por vezes me soem a rotina.
ResponderEliminarBeijinhos
ResponderEliminarBeijinhos!!
As mentiras e as verdades irão sempre de mão dada, à procura dos incautos.
ResponderEliminarA arte de mentir dignamente.
ResponderEliminarBoa noite, Alice!
Um abraço.
É o limbo ideal.
ResponderEliminarVerdade, só quando alguma coisa falha é que lhes damos o devido valor.
ResponderEliminarBeijos
ResponderEliminarBeijos
Uma verdadeira arte, é preciso ter lata.
ResponderEliminarBoa noite, José.
Um abraço
Sim. É «O Que Há-de Vir». Aquilo para o que ainda não temos palavras nem pronúncia. Aquilo que é mais forte do que tudo o que se é capaz de dizer-escrever-formular. A sua latência é a razão e a causa de Tudo.
ResponderEliminarMentir? Ora essa!
ResponderEliminarE o horror de «ser tudo Falso» (i.e., de nos servirmos da modéstia para nos evidenciarmos, da humildade para conquistarmos, da virtude para oprimirmos, da verdade para enganarmos, da certeza para iludirmos, da dúvida para penetrarmos), não é exactamente igual ao terror de «ser tudo Verdadeiro» (i.e., de se acreditar que há uma verdade acima de nós e uma certeza absoluta)?