Alcatifei-me de veludo azul,
fiz pintar a Ternura os meus salões,
e pus cortinas de tule...

Mas não chamei grandes orquestras
nem um clarim, a proclamá-la:
mandei tocar, em mim,
uma música assim de procissão
que levou os meus sentidos
a nem sequer se sentirem, de embevecidos...

Hoje, cá dentro, houve festa...
E, se houve festa e veludos,
e musica azul, e tudo
quanto digo,
foi somente porque a Graça
desceu hoje a visitar-me.

E eu, que vivo de Infinito
as raras vezes que vivo;
eu, que me sinto cativo
no pouco espaço que habito,
onde a presença de dois,
por ser demais, me embaraça,
deixei logo o meu lugar,
para dar lugar à Graça.

Não tinha pés: tinha passos;
não tinha boca: era beijos;
não tinha voz: era como
se o folhado e a maresia
se tivessem combinado
pra cantar «Ave, Maria...»

Foi então que vivi; então que vi
os poucos metros que vão
da minha Serra às Estrelas:
é que eu, sendo tão pequeno
que nem às vezes me encontro,
andava ali a pairar,
e o meu fim estava nelas
e o meu princípio no Mar.
A Graça, cá dentro, era
a varinha de condão
que me guiava no Ar.
E que bem me conduzia!
Parecia que eu sentia
as mesmas ânsias e a alegria
da Noite quando, no ventre,
já sente os gritos do Dia.

O poema é de Sebastião da Gama, o poeta da Serra da Arrábida, as fotografias foram tiradas por mim ontem na Serra.
Belíssimo.
ResponderEliminarBom dia, Alice.
Belas fotografias a ilustrar um belo poema!
ResponderEliminarMena
Que bonita partilha!
ResponderEliminarBoa noite e bom fim-de-semana, Alice!
Um abraço
Lindíssimas fotos
ResponderEliminarMuito bonito.
ResponderEliminari
ResponderEliminarAlguns andam na sua vida, tiram umas fotos e publicam para outros verem!
ResponderEliminarJá viram a imagem negativa que as redes sociais estão a transmitir da sociedade!
Bonitas fotografias, ilustram em perfeição o belo poema de Sebastião da Gama. Obrigada pela partilha.
ResponderEliminarBoa semana.
Só pela poesia se consegue chegar à verdade. Perante tantos signos e nomeações que escondem a autêntica relação do sujeito ao objecto, só com o poetar se ultrapassa a estrutura e nos permite acesso ao que a linguagem e toda a rede linguística esconde. Elucida bem a citação de Cícero “ Nada é perfeito quando encontrado “ o que não é o mesmo que dizer que não há nada perfeito. Mas, permita me tb acrescentar a história de dois peixes que nadam juntos e se cruzam com um outro que lhes pergunta como está a água. Só mais na frente, um se vira para o outro e pergunta o que é que aquele peixe quis dizer qd se referiu à água.
ResponderEliminarPeço desculpa mas, hoje, embora vendo, lendo, e elogiando a sua publicação, passo a fim de deixar:
ResponderEliminar.
Votos de um NATAL MUITO FELIZ, repleto de luz, alegria, saúde, amor, prosperidade, paz, extensivo à sua ilustre família.
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Poema: “ Natal de amor e saudade “ (http://pensamentosedevaneiosdoaguialivre.blogspot.pt/)
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Postal lindíssimo!
ResponderEliminarFestas Felizes!