m-u-n-d-o

Aos dias de hoje, o acesso à informação é fácil, tão fácil que qualquer um pode ser portador e disseminador de informação, quer seja ela verdadeira ou não.


Das opiniões que podemos filtrar em comentários nas redes sociais, verifica-se que grande parte do conteúdo neles existentes dizem respeito "a palavras frontais e a sinceridade extrema", sabendo que a sinceridade extrema pertence à visão própria de cada individuo, àquilo que experienciou, às suas crenças e valores é difícil chegar a consensos.


Não me parece que estejamos mais civilizados, parece-me sim que estamos todos numa imensa e global arena de combates sinceros e sangrentos, tudo isto em dois mundos ao mesmo tempo.


Se por um lado esgotam-se os recursos naturais em nome do deus economia, por outro lado mata-se em nome de deus, não havendo qualquer problema em morrer, porque deus irá acolher os seus fiéis.


Por todo o lado a existência de deus é a arma ideal para explicar a mais delicada das situações, com isso se explica a paz, mas também se explica a guerra, na súmula deus ordena e o individuo faz acontecer. Acredita-se tanto no invisivel que todos os sentidos (visão, tacto, olfato, audição, paladar) são elevados à inesxistência.


Há uma utópica recompensa na morte.


Não apenas na morte das pessoas, mas na morte da natureza e dos animais, na destruição do planeta, na destruição da paz.


Há vida na guerra.


Na guerra tudo é possível, até a recompensa para além morte.


Na guerra fazem-se fortunas, amamentam-se poderes infindos sobre os outros, os frutos da guerra são, destruição, sangue, raiva, desilusão, pobreza, fome, doença, órfãos, terra queimada, mesmo que não se morra no corpo, morre-se no espírito, morre-se no sonho, morre-se pela dor naquilo em que se acreditou.


Investir na guerra é o poder supremo de qualquer manipulador, que a guerra não se resume apenas a balas e outros artefactos bélicos, mas a todas as acções praticadas com a intenção de ter poder sobre o outro, nas guerrilhas quotidianas através de teclados, de frases vestidas de sinceridade e assumidas como directas, na cinzenta tomada de decisão pessoal de magoar sem ter sido dada a permissão.


Na coisa do género com a qual nos identificamos, na baralhação mental deste mundo bizarro, na loucura da transformação ao minuto da sociedade e do indivíduo na sua tomada de decisão.


A paz exige inteligência, diálogo, tempo e vontade. Estamos longe disso. 


A guerra gera altos negócios, poderes (minúsculos, pequenos e grandes), audiências, coisas mais apetecíveis aos dias de hoje na ânsia de deixar rastro em todas as suas dimensões. 


 

Comentários

  1. Somos animais sedentos de de ódio e vinganças.

    Bom resto de dia e boa semana, Alice!
    Um abraço

    ResponderEliminar
  2. Verdade, José, há uma permanente necessidade de vingança na nossa espécie, não se considera forte a pessoa que alcança o percurso feito de forma pacifica, em muitos setores da sociedade valoriza-se a agressividade (nas suas mais variadas formas), de entre eles na educação, no trabalho...
    Obrigada, uma boa semana também para si.
    Um abraço.

    ResponderEliminar
  3. Boa tarde, Alice
    Para combater a guerra é preciso, no meu sonho de Utopia ir à raiz do mal.
    Eu explico.
    "Quando os colonizadores "Europeus" chegaram às Américas, várias Tribos ocupavam aquele imenso território. Havia uns limites indefinidos onde cada Tribo exercia a caça, a recoleção e se deslocavam livremente. Nunca qualquer "Homem" de qualquer Tribo se virou para os seus iguais e lhes disse - "Este pedaço de Terra é meu. -
    Aliás era inconcebível para um Nativo americano o termo "Isto é meu". (Ler a carta do Chefe Índio Seatle ao Homem Branco.
    Estou convencido, e é a única esperança que tenho numa humanidade Humanista, que apenas a Paz será o Estado Normal sobre a Terra quando todos nos convencermos "que nascemos selvagens e que nada é de ninguém"
    Palavras de um sonhador cada vez mais desiludido,
    Zé Onofre

    ResponderEliminar

Enviar um comentário