



Nasci num tempo em que a maioria dos jovens tinham perdido a crença em Deus, pela mesma razão que os seus maiores a tinham tido — sem saber porquê. E então, porque o espírito humano tende naturalmente para criticar porque sente, e não porque pensa, a maioria desses jovens escolheu a Humanidade para sucedâneo de Deus. Pertenço, porém, àquela espécie de homens que estão sempre na margem daquilo a que pertencem, nem veem só a multidão de que são, senão também os grandes espaços que há ao lado. Por isso nem abandonei Deus tão amplamente como eles, nem aceitei nunca a Humanidade. Considerei que Deus, sendo improvável, poderia ser, podendo pois dever ser adorado; mas que a Humanidade, sendo uma mera ideia biológica, e não significando mais que a espécie animal humana, não era mais digna de adoração do que qualquer outra espécie animal. Este culto da Humanidade, com os seus ritos de Liberdade e Igualdade, pareceu-me sempre uma revivescência dos cultos antigos, em que animais eram como deuses, ou os deuses tinham cabeças de animais.
Bernardo Soares, In Livro do Desassossego
Que belas fotografias. Bom fim-de-semana
ResponderEliminarBelas fotos. Texto muito interessante de ler
ResponderEliminar.
Cumprimentos poéticos e cordiais
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Bonitas fotografias!
ResponderEliminarBom fim-de-semana, Alice.
Beijinhos
Excelente partilha, fotografias e texto
ResponderEliminarbem haja cúmplice
Eu nasci num tempo em que o deus castigador me acompanhou desde que me lembro...
ResponderEliminarNum tempo em que tudo era pecado e o inferno espreitava em cada esquina...
Gostei muito do texto.
E das fotografias.
Mena