Ilustração Vasco Gargalo
Os ratos invadiram a cidade
povoaram as casas os ratos roeram
o coração das gentes.
Cada homem traz um rato na alma.
Na rua os ratos roeram a vida.
É proibido não ser rato.
Canto na toca. E sou um homem.
Os ratos não tiveram tempo de roer-me
os ratos não podem roer um homem
que grita não aos ratos.
Encho a toca de sol.
(Cá fora os ratos roeram o sol).
Encho a toca de luar.
(Cá fora os ratos roeram a lua).
Encho a toca de amor.
(Cá fora os ratos roeram o amor).
Na toca que já foi dos ratos cantam
os homens que não chiam. E cantando
a toca enche-se de sol.
(O pouco sol que os ratos não roeram).
Poema de Manuel Alegre
Grato pela partilha!
ResponderEliminarFeliz noite, Alice!
Um abraço
Poema lindíssimo que me deixou em intensa e profunda reflexão.
ResponderEliminar.
Feliz fim de semana ... Cumprimentos poéticos
.
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Muito bem combinada a ilustração com o poema. E amanhã?!
ResponderEliminarMuito oportuno.
ResponderEliminarConcordo...
A memória das pessoas é muito curta
E quando alguém está menos bem, em vez de fomentar a auto-estima, gostam de deitar por terra e esquecer o que já fez de bem...
Que haja muitos dias de esperança e amor na vida de Ronaldo e nas nossas.
Então me refiro ao futebol mas também, se isso for importante para alguns .
Mena