povos

 


 Ilustração  Siiri Väisänen


Acho muito significativo, sob esse ponto de vista, que Husak tenha mandado expulsar das universidades e dos institutos científicos cento e quarenta e cinco historiadores tchecos. (Dizem que, para cada historiador, misteriosamente, como num conto de fadas, um novo monumento de Lenine surgiu em alguma parte da Boémia.) Em 1971, um desses historiadores, Milan Hübl, com seus óculos de lentes extraordinariamente grossas, estava no meu apartamento da Rua Bartolomejska. Olhávamos pela janela as torres do Hradeany e estávamos tristes.


- Para liquidar os povos- dizia Hübl-, começa-se por lhes tirar a memória. Destroem-se seus livros, sua cultura, sua história. E uma pessoa lhes escreve outros livros, lhes dá uma outra cultura e lhes inventa uma outra história. Em seguida, o povo começa lentamente a esquecer o que é e o que era. O mundo à sua volta o esquece ainda mais depressa.


Milan Kundera, in O livro do riso e do esquecimento


 


 


 

Comentários

  1. É bem verdade que um povo sem História é um povo sem memória!
    Mas há sempre alguém que, mesmo clandestinamente, guarda essas memórias...
    Mena

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