direitos humanos

Nos últimos dias temos assistido pela televisão ao falatório sobre aquilo que são os direitos humanos, as explicações resumem-se a breves minutos onde se fala sobre o Mundial de Futebol realizado no Catar, fala-se à boca pequena na morte de milhares de homens por acidentes de trabalho durante a construção dos estádios de futebol, fala-se timidamente na escravidão que é imposta aos trabalhadores domésticos (sem horários nem pausas), tudo isto é intercalado com imagens do luxo existente em vários locais, com a beleza exuberante dos arranha céus e das largas avenidas que deixam antever o Deserto. Entretanto, passamos para a realidade portuguesa onde o assunto tem sido relatado nalgumas plantações agrícolas existentes no Alentejo, os trabalhadores são na sua maioria homens oriundos de países asiáticos, curiosamente o mesmo tipo de trabalhadores que são referidos no Catar, aqui já temos um factor comum de onde vem a mão de obra mais barata actualmente.


Vê-se em imagens televisivas que reportam à pacatez do Alentejo as casas para acolherem estes emigrantes, é referido que  são alugadas à parcela, por cama, em cada quarto chegam a estar mais de cinco homens vindos não se sabe bem de onde, sabe-se no entanto que nos seus países foram recrutados para realizarem trabalhos na agricultura, assim e não sendo necessário experiência ou conhecimento da língua materna é relativamente fácil conseguir-se um emprego aqui, no entanto também se sabe que esses trabalhadores são vitimas de máfias que os recrutam no país de origem e lhes facultam alojamento, assim sem rede de apoio, num país estrangeiro, sem recursos financeiros, sem conhecerem a língua são trabalhadores apetecíveis tanto para os recrutadores como para os empregadores que visam o lucro fácil.


A bandeira do trabalho digno? Talvez devesse ser hasteada em empresas que o praticam. 


Pergunto-me,  qual a diferença entre uns e outros? Será o país que os acolhe? 


Pergunto-me ainda, quem se interessa pelo mar de plástico criado pelas plantações cultivadas em estufa? onde metros e metros quadrados de ecossistemas existentes foram arrasados, tendo em conta a economia local e a criação de emprego, mas e quando este emprego criado não é contratado de forma digna, não interessa? Olha-se para o lado e continua-se? E a destruição dos habitats em zonas de Parque Natural? Não é uma violação do direito ambiental e animal, e biodiversidade na sua vasta dimensão, indo contra natura às gerações futuras. E os furos de água? A água não é um bem escasso que deveria ser gerido em prol de todos, e não apenas de alguns? E o abate de carvalhos e pinheiros mansos centenários, ali para as bandas de Grândola, para a criação de pomares de tangerinas que serão vendidas em Espanha? Aliás o que se passa ali para a zona de Troia e Comporta não diz respeito a ninguém, construções em cima de dunas supostamente protegidas, com fauna e flora sensível à intensificação humana. E ainda, à criação de um recife, em zona de pesca do cerco, são tantos atropelos, que é-me impossível enumera-los a todos, mas é como diz o outro "isso agora não interessa nada".


Para que temos um Ministério do Ambiente?


Missão:



A Secretaria-Geral do Ambiente (SGAmbiente) é um serviço central da administração direta do Estado, dotado de autonomia administrativa.


A SGAmbiente tem por missão garantir o apoio à formulação de políticas, ao planeamento estratégico e operacional, à atuação do Governo daárea do Ambiente e Ação Climática no âmbito internacional, à aplicação do direito europeu e à elaboração do orçamento, assegurar a gestão de programas de financiamento internacional e europeu a cargo do Ambiente e Ação Climática, bem como assegurar o apoio técnico e administrativo aos gabinetes dos membros do Governo integrados na área governativa Ambiente e Ação Climática e aos demais órgãos e serviços nela integrados, nos domínios da gestão de recursos internos, do apoio técnico-jurídico e contencioso, da documentação e informação e da comunicação e relações públicas.



Visão:



"Ser uma referência na Administração Pública portuguesa, no suporte às políticas, na representação internacional e na partilha de serviços."



Pergunto-me, quais os direitos humanos dos meus filhos e dos filhos deles neste país ? País onde se vendem casas a preços exorbitantes e se fazem propostas de redução de impostos a estrangeiros. País onde se abatem  - em nome do progresso e dinheiro - árvores e ecossistemas para dar lugar à crescente  plantação de centrais fotovoltaicas, como se não houvessem telhados suficientes para a colocação dos painéis - chama-se a isto energia verde. Sinto-os escorraçados nos seus direitos consagrados na nossa Constituição, sinto que os velhos já não se importam e os novos não querem saber.  


 


 

Comentários

  1. Desculpe-me "isso agora não interessa nada" temos futebol todo o dia, e além disso somos os campeões da defesa dos direitos humanos, até temos a rede Natura, ninguém nos bare em defesa de causas, o problema é a corrupção, que consegue sabotar todas as nossas boas intenções.
    Feliz noite, Alice!
    Um abraço

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  2. ainda há pouco comentei isto com o meu irmão...

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  3. O que interessa é o invólucro e as audiências. A verdade para além das aparências interessa pouco aos grandes defensores das causas instantâneas, umas atrás outras em catadupa, numa hipocrisia total, que só serve para atiçar e justificar joguinhos entre facções.
    Bom descanso, Alice.

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  4. Muitos bloggers são individualistas pois certos assuntos só são importantes no seu blogue, e depois fingem que estão preocupados com os outros.

    Também pergunto-me, como é que bloggers para os quais certos assuntos só são importantes no seu blogue, podem estar preocupados com os outros?

    Também escrevem para outros lerem e comentarem, mas não leem nem comentam o que outros escrevem. Não lhes interessa fazer isso mas estão preocupados com os outros!

    Infelizmente "anda meio mundo a enganar outro meio".

    E os comentários não se censuram, comentam-se com argumentos.

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  5. Disse bem: "O que interessa é o invólucro e as audiências. A verdade para além das aparências interessa pouco aos grandes defensores das causas instantâneas, umas atrás outras em catadupa, numa hipocrisia total".

    E vemos também isto quando morre alguém que nem lhes é próximo. "As lágrimas que eles deitam, comovem!". E vemos posts e mais posts sobre o assunto.

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  6. Somos campeões em aparências e manipulação. Os media tratam de abafar o que não interessa ser visto.

    Quando não temos futebol todo o dia, temos assuntos insignificantes todo o dia nos blogues e não só. Interessa alimentar o "circo" e "anestesiar" o povo. E o povo gosta!

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  7. E ainda não tinha reparado no 'direito do ambiente'.

    Num país onde por vezes o ser humano é tratado abaixo de cão, existe o 'direito do ambiente'.

    Temos um Ministério do Ambiente mas não temos um dos Direitos Humanos. E algumas organizações que existem, só veem o que lhes interessa ver. Estão mesmo "muito" preocupadas com os Direitos Humanos! O descrédito é quase total.

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