Pego num pedaço de silêncio. Parto-o ao meio,
e vejo saírem de dentro dele as palavras que
ficaram por dizer. Umas, meto-as num frasco
com o álcool da memória, para que se
transformem num licor de remorso; outras,
guardo-as na cabeça para as dizer, um dia,
a quem me perguntar o que significam.
Mas o silêncio de onde as palavras saíram
volta a espalhar-se sobre elas. Bebo o licor
do remorso; e tiro da cabeça as outras palavras
que lá ficaram, até o ruído desaparecer, e só
o silêncio ficar, inteiro, sem nada por dentro.
Poema de Nuno Júdice
Excelente partilha!
ResponderEliminarBom domingo, Alice!
Um abraço
Poema muito bonito que muito gostei de ler
ResponderEliminar.
Feliz fim de semana.
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Belo poema e fotografia bem escolhida.
ResponderEliminarNão há nada mais perturbador que os ruídos que saiem do silêncio e ecoam dentro de nós.
Mena
Muito bonito, obrigada pela partilha
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