Leio por aí que existe agora uma vaga de trabalhadores que se regem pela chamada demissão silenciosa - nome dado pelos especialistas - mas ao que parece não é uma demissão, então para que lhe deram esse nome¿. E que especialistas são estes? Ao que tudo indica trata-se apenas de cumprir o horário de trabalho e as funções para o quais foram contratados, nada de mais portanto, é somente ser-se cumpridor dos seus deveres e direitos.
Parece assim haver uma admiração generalizada em concretizar tais factos, o que também não entendo, mas assim como tudo isto é agora exposto e questionado pela comunicação social como se fosse uma revolta dos trabalhadores, também o é em relação a haver avaliações pelo trabalho prestado, onde se avalia o trabalhador por aquilo que ele faz e para além daquilo para o qual contratado - dando um exemplo disso: refiro-me ao facto de um dia alguém me ter dito que a avaliação de excelente haveria de ser para quem apresentasse resultados que iriam além da sua função, o que também não entendi na altura. Opinião essa que também encontro muitas vezes em estudos de especialistas. Assim chego a concluir que os especialistas são especializados em confusões especializadas sobre as regras, direitos e deveres dos trabalhadores e das entidades empregadoras.
Um contrato de trabalho é isso mesmo -contrato, com cláusulas escritas, sendo que não seja escrito prevale a lei, as mesmas refletem os deveres e os direitos de ambas as partes, se alguma das partes exigir mais do que aquilo que lá está acordado deverá ser reformulado - a isso chama-se princípio da equidade.
Justo será dizer também que há um alheamento global daquilo que é ser-se cumpridor, ou seja as palavras dos especialistas tornaram-se tão vulgares que deixaram em aberto o seu verdadeiro significado, levando a que qualquer um o interprete a seu bel prazer.
O que acho é que os trabalhadores se cansaram de trabalharem para além das horas que constam no contrato de trabalho, sem serem pagas.
ResponderEliminarAs empresas criaram uma cultura no sentido de fazerem crer aos trabalhadores que a empresa não era só do acionistas, entusiasmando-os com o seguinte: vestir a camisola, fazer parte da equipa, disponibilidade total.........
Boa semana, Alice!
Um abraço
Desde a primeira vez que li sobre isso fiquei revoltada... Tenho a mesma opinião que tu, se as pessoas são pagar para fazer x não tem que fazer y e z, e se as 8 horas de trabalho não são suficientes para os trabalhadores acabarem as tarefas necessárias devem ser contratadas mais pessoas ou pagar-se as horas extras.
ResponderEliminarAcho que deviamos celebrar que o pessoal ja não esteja disposto a por a sua vida pessoal em xeque em prol do trabalho... Penso que temos burnouts suficientes para provar que 'e uma pessima pratica
Pois, o tal de apelidaram os trabalhadores de "colaboradores", mas afinal o que existe é o Código do Trabalho e não o da Colaboração. Porquê afinal somos pagos para trabalhar não para colaborar.
ResponderEliminarObrigada, José uma boa semana também para si. Abraço.
Sim, e para além dos riscos psicosociais na nossa saúde mental, ainda acresce as doenças profissionais que manifestamente acrescentam a despesa pública com a saúde. As pessoas são tratadas como recursos humanos, mas a política deveria ser no sentido do valor humano no trabalho.
ResponderEliminarOlá Alice! Tenho lido vários artigos sobre este tema e também fico algo confusa. Se os trabalhadores só fazem aquilo para que são pagos e são as suas funções,não se estão a demitir! Estão sim a acordar para a viva e deixar que sejas escravos. A maioria de nós recebemos miseravelmente e temos excesso de trabalho e de responsabilidade. Estarei errada?
ResponderEliminarÉ isso mesmo, não é uma demissão, o título dado apenas serve para tornar dramática a situação, quando na realidade os trabalhadores continuam a executar as suas tarefas, o que torna a situação diferente é o facto de não o fazerem fora da hora de serviço, deixando de estarem em disponibilidade total, afinal para que exista esse vínculo é preciso pagar mais, e ser assente pelas duas partes, ora se não existe esse dever de compromisso como podem estar a falar em tal como um dado adquirido?
ResponderEliminarExato. Quem pagou esses artigos, de certeza foram entidades empregadoras. E depois, " Não tem o amor há camisola!".
ResponderEliminarOu isso, ou é a chamada escrita criativa jornalística.
ResponderEliminarA pandemia mudou o paradigma. As pessoas já procuram muito mais esse equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal e já batem mais o pé nestas questões de trabalhar mais, de ter mais brio do que é pedido, etc, etc. Temos de procurar ser profissionais ao máximo, sempre, mas há muito mais para além do trabalho.
ResponderEliminarO tempo gasto a trabalhar ocupa uma boa fatia do nosso dia, concordo que é nosso dever cumprir com aquilo com que nos comprometemos, no entanto há que conjugar o equilíbrio entre a vida pessoal e a laboral, porque se não o fizermos algum dia uma delas irá falhar trazendo consigo consequências raramente boas, muitas das vezes acontece darmos conta disso apenas quando é tarde demais.
ResponderEliminarA pandemia, ou melhor o tempo que fomos obrigados a ficar em casa obrigou-nos a uma reflexão interior e individual, ficámos mais conscientes que somos finitos, esta consciência da finidade do tempo que temos para viver, e que era em grande parte reconhecida apenas pelos mais velhos, ou por pessoas em situação de doença, tornou-se globalizada aos mais jovens, e eis que está à vista um mundo em mudança.
Olá. Este teu post dá pano para mangas.
ResponderEliminarFico doida com os eufemismos tipo "colaborador", "somos uma família", "mérito", "avaliação"... Eu acho que avaliar é fundamental, mas não pode ser a ponta por onde o patrão pega para fazer o que bem entende. Aliás, nunca vejo os patrões a serem avaliados...
Fui professora e sei o que os meus/minhas colegas sofrem com uma avaliação que não os deixa subir na carreira, porque as quotas não deixam. Parece que os estrangulamentos são normais e a "normalização" do arbítrio, do amiguismo, da negação do trabalho árduo para tanta gente é aquilo a que temos de nos sujeitar. Aguenta, aguenta!
Classe cansada, desmotivada, submersa em burocracia. em plataformas e mais plataformas, quando devia ser das mais acarinhadas pela população. Sem escola pública não há futuro, não há democracia.
Vale a pena ler a entrevista ao professor Carlos Neto este fim de semana na revista do "Público". A paranoia do "casamento" com a empresa fez com que as crianças pouco tempo estejam com os pais, tenham tempo para brincar e crescer livremente. Sociedades doentes, fruto dum modelo desumano em que o capitalismo tudo dita. E depois admiram-se que a sanidade mental ande tão arredia dos nossos concidadãos!
Desabafos.
As pessoas estão cansadas, de se dedicarem e nada acontecer, entendo perfeitamente.
ResponderEliminarPois não existe avaliação para o empregador porque persiste a ideia de que a criação de valor advém somente daí, é uma ideia ultrapassada. Vou tentar ler essa entrevista de Carlos Neto, sobre o "casamento" com a empresa. É verdade as crianças são as primeiras vítimas dos horários dos pais, daí a escola servir muitas vezes como depósito de crianças, muitas das quais ainda conseguem ter mais carga horária que um mero trabalhador, é natural que quando chegarem à idade adulta já estejam extenuados.
ResponderEliminarTambém era de esperar que a burocracia fosse um obstáculo já ultrapassado, mas não cada há mais "grelhas e grelhas das grelhas" para demonstração das competências e dos objetivos, só falta mesmo é haver a grelha dos sonhos. Na realidade as pessoas estão agrilhoadas a tanta informação e tarefas a desempenhar, e isto é transversal a muitas profissões.
É uma revolta sem palavras, porque as pessoas desistiram de se manifestar e de demonstrar espirito crítico, esperando com isso obter resultados positivos a curto prazo, o que aconteceu é que a situação que tentaram contornar sem ação tornou-se agora a realidade que não queriam.
ResponderEliminarEra inevitável.
ResponderEliminarTalvez.
ResponderEliminarEstá tudo dito.
ResponderEliminarA sociedade geradora de pessoas infelizes, quando a nossa missão é sermos felizes...