
escrevo-te deste tempo ausente
com pupilas dilatadas.
escrevo-te quase só, exausto,
quase cego, quase louco.
ninguém escuta a minha voz sobre as ruínas,
o grito, a dor, nada.
há um poema que atravessa os muros,
um nó que se aperta na garganta,
um silêncio que entardece
quando todos partem.
sou, talvez, um caminhante solitário
pelas estrelas sem nome.
aquele que caminha quando todos dormem
fechando todas as portas
que o tempo não apaga.
Poema Paulo Eduardo Campos
Escrevo deste tempo em que tínhamos quase tudo para começarmos um mundo melhor. No entanto, no dia a dia a Paz não é interessante o suficiente para que haja ambição para o fazer.
Escrevo deste tempo que continua como há cem anos em que a coragem de fazer a guerra vive encavalitada na mentira, podíamos até parodiar as cinco horas de conversações entre os dois velhos ursos, qual marretas num qualquer camarote de um teatro famoso, dois velhos que se aproximam do final, caquécticos e loucos julgando-se poderosos, quem protege os loucos? deste tempo que vos escrevo, quem lhes dá o poder, quem lhes irá retirá-lo? Deste tempo que vos escrevo espero não ter muito por recordar.
"O nó que aperta na garganta" é uma realidade insofismável
ResponderEliminarTemos de aprender a lutar contra ele, de todos os modos
Como sair desta ansiedade não sei.
Uma boa noite
Querida Alice, não vejo fim a vista...
ResponderEliminarPoema lindíssimo que muito gostei de ler
ResponderEliminar.
Feliz fim-de-semana … Saudações poéticas
.
Os que mandam os jovens para a guerra não morrem-nela!
ResponderEliminarBom fim de semana, Alice!
Um abraço
Um poema tão lindo, tão comovente! Um nó tão grande que aperta tanto a garganta de uns como de outros!
ResponderEliminarUm poema dramático e tão real
ResponderEliminarQuem nos protege dos loucos, de uma loucura que é sede de poder e ganância...
Mena
Muito obrigado por partilhar as minhas palavras.
ResponderEliminarPaulo Eduardo Campos
Muito grato, pela partilha das minhas palavras.
ResponderEliminarPaulo Eduardo Campos
Obrigada, Paulo, pelo seu comentário, e também pelas suas palavras elevadas à poesia, gosto muito.
ResponderEliminarMuitas felicidades para 2023.