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escrevo-te deste tempo ausente

com pupilas dilatadas.

escrevo-te quase só, exausto,

quase cego, quase louco.

ninguém escuta a minha voz sobre as ruínas,

o grito, a dor, nada.

há um poema que atravessa os muros,

um nó que se aperta na garganta,

um silêncio que entardece

quando todos partem.

sou, talvez, um caminhante solitário

pelas estrelas sem nome.

aquele que caminha quando todos dormem

fechando todas as portas

que o tempo não apaga.

 

Poema Paulo Eduardo Campos

 

Escrevo deste tempo em que tínhamos quase tudo para começarmos um mundo melhor. No entanto, no dia a dia a Paz não é interessante o suficiente para que haja ambição para o fazer. 

Escrevo deste tempo que continua como há cem anos em que a coragem de fazer a guerra vive encavalitada na mentira, podíamos até parodiar as cinco horas de conversações entre os dois velhos ursos, qual marretas num qualquer camarote de um teatro famoso, dois velhos que se aproximam do final, caquécticos e loucos julgando-se poderosos, quem protege os loucos? deste tempo que vos escrevo, quem lhes dá o poder, quem lhes irá retirá-lo? Deste tempo que vos escrevo espero não ter muito por recordar. 

 

Comentários

  1. "O nó que aperta na garganta" é uma realidade insofismável
    Temos de aprender a lutar contra ele, de todos os modos
    Como sair desta ansiedade não sei.
    Uma boa noite

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  2. Querida Alice, não vejo fim a vista...

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  3. Poema lindíssimo que muito gostei de ler
    .
    Feliz fim-de-semana … Saudações poéticas
    .

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  4. Os que mandam os jovens para a guerra não morrem-nela!

    Bom fim de semana, Alice!
    Um abraço

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  5. Um poema tão lindo, tão comovente! Um nó tão grande que aperta tanto a garganta de uns como de outros!

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  6. Um poema dramático e tão real
    Quem nos protege dos loucos, de uma loucura que é sede de poder e ganância...
    Mena

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  7. Paulo Eduardo Campos18 de maio de 2022 às 14:06

    Muito obrigado por partilhar as minhas palavras.
    Paulo Eduardo Campos

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  8. Muito grato, pela partilha das minhas palavras.
    Paulo Eduardo Campos

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  9. Obrigada, Paulo, pelo seu comentário, e também pelas suas palavras elevadas à poesia, gosto muito.
    Muitas felicidades para 2023.

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