
Lego aos meus amigos
um azul cerúleo para voar alto
um azul cobalto para a felicidade
um azul ultramarino para estimular o espírito
um vermelhão para fazer circular o sangue alegremente
um verde musgo para acalmar os nervos
um amarelo ouro: riqueza
um violeta cobalto para sonhar
um garança que faz ouvir o violoncelo
um amarelo barite: ficção científica, brilho, resplendor
um ocre amarelo para aceitar a terra
um verde veronese para a memória da primavera
um anil para poder afinar o espírito pela tempestade
um laranja para exercer a visão de um limoeiro ao longe
um amarelo limão para a graça
um branco puro: pureza
terra de siena natural: a transmutação do ouro
um preto sumptuoso para ver Ticiano
uma terra de sombra natural para aceitar melhor a melancolia negra
uma terra de siena queimada para noção de duração.
Maria Helena Vieira da Silva
(texto encontrado nos papéis da pintora, após a sua morte)
Que maravilha!
ResponderEliminarO poem é muito bem escolhido, mas o que anda por aí é só o branco da neve tingido do vermelho de sangue, infelizmente...
ResponderEliminarTambém pensei nisso, mas achei o poema tão intenso e com a capacidade de transmitir o nosso livre arbítrio para a mudança que se espera.
ResponderEliminarPara mim é um quadro pintado com palavras.
ResponderEliminarQual seria a cor que Maria Helena daria a estes tempos que vivemos?
ResponderEliminarFoto e poema deslumbrantes de ver e ler.
ResponderEliminar.
Abraço … saudações cordiais
.
Um excelente poema! É pena alguns gostarem mais das cores, horríveis, da guerra.
ResponderEliminarBoa noite e boa semana, Alice!
Possivelmente um anil raiado a verde e amarelo com salpicos de vermelhão num fundo cinza escuro.
ResponderEliminarObrigada, Ryk@rdo, que venham melhores tempos.
ResponderEliminarAbraço.
Tem razão José, é pena a Paz não ser um projeto interessante.
ResponderEliminarBoa noite e boa semana também para si.
Gostei imenso, não conhecia!
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