Parece ter havido uma admiração geral na sociedade acerca dos planos de vingança do rapaz que foi apanhado pela PJ, e que são descritos até à exaustão nos diversos locais noticiosos, estamos tão admirados como se fosse uma notícia inexistente no mundo.
A banalização generalizada da violência a qual consumimos diariamente à hora da refeição, leva-nos a este genuíno espanto, como se fosse irreal acontecer no nosso mundo, sendo que pode acontecer a milhares morrerem de fome e pela guerra enquanto atafulhamos a boca com carne e esparguete, ou enquanto fazemos um prato saudável com frutos vermelhos, desconhecendo que para termos aqueles frutos no nosso prato as mãos que os escolheram trabalharam sem condições dignas de trabalho e ainda fazendo vista grossa a que o ecossistema fosse vandalizado em detrimento de questões chamadas de económicas.
Podemos ainda conceber elevadas audiências a programas diários televisivos que promovem a violência - quer no local de trabalho, quer nas relações pessoais - gerando verdadeiros combates ideológicos nas redes sociais, são também esses debates nas redes exemplo daquilo que espelha a violência existente na sociedade.
Ignoramos profundamente o sofrimento provocado pelas desigualdades sociais, como se isso não fosse violência, desculpamos a corrupção como se não fosse violento as consequências que resultam desses actos. Reconhecemos como violência a considerar perigosa apenas aquela em que existem actos de sangue, cataloga-mo-la por cor, no entanto tantos actos de violência para além dos de sangue desencadeiam sofrimento, a fome e o desemprego também são formas de violência.
Revelamos o rosto dos criminosos de sangue como se de um filme se tratasse, porque é importante reconhecer de onde vem a violência, no entanto não fazemos com a mesma frequência a revelação dos rostos dos pedófilos e daqueles que praticam bullying, é como se houvesse uma violência de menor importância.
O mais gritante de tudo é a tirania da indiferença quando nos cruzamos com as mais diferentes formas de violência, seguimos em frente sem darmos conta de que aquilo é errado, há uma ausência de remorso societário, o desconhecimento quase generalizado de que pertencemos também a tudo isto.
Totalmente de acordo! Enquanto a violência é lá longe, vêmo-la como um espetáculo.
ResponderEliminarMas quando é na Faculdade dos nossos filhos ou netos, como é o meu caso, onde estudam a minha neta mais velha e o meu neto, as coisas mudam de figura.
Boa noite, Alice!
Uma reflexão que é também um alerta.
ResponderEliminarConcordo inteiramente.
Normalizar a violência é uma forma de violência.
Mena
"Podemos ainda conceber elevadas audiências a programas diários televisivos que promovem a violência"
ResponderEliminaracrescento as telenovela.
Tudo está banalizados nas sociedades democráticas
Claro que pertencemos a tudo isto, infelizmente...o meu sentimento face a esta e outras situações idênticas, é que há muito que o "nosso cantinho" deixou de ser seguro, mas as pessoas andam demasiado ocupadas para se aperceberem, mas mais grave do que isso a meu ver, é não olharmos para o lado com olhos de ver...eu tento fazer a minha parte, mas é manifestamente insuficiente.
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