Caminhadas

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Por estradas de montanha
vou: os três burricos que sou.
Será que alguém me acompanha?


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Também não sei se é uma ida
ao inverso: se regresso.
Muito é o nada nesta vida.


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E, dos três, que eram eu mesmo
ora pois, morreram dois;
fiquei só, andando a esmo.


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Mortos, mas, vindo comigo
a pesar. E carregar
a ambos é o meu castigo?


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Pois a estrada por onde eu ia
findou. Agora, onde estou?


Já cheguei, e não sabia?


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Três vêzes terei chegado
eu – o só, que não morreu
e um morto eu de cada lado.


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Sendo bem isso, ou então
será: morto o que vivo está.
E os vivos, que longe vão?


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Poema de Guimarães Rosa


Caminhada pelo Parque Natural da Arrábida

Comentários

  1. Obrigada por esta bonita caminhada, num dos meus lugares favoritos
    Beijinhos

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  2. Poema divertido, encantador de ler. As fotos que o ilustram são deslumbrantes
    .
    Saudações poéticas … domingo feliz
    .


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  3. Caminhada linda, repleta de poesia
    Domingo feliz

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  4. Lindo poema! Especial e a condizer com as fotografias das plantas silvestres como a fumaria, o alecrim disfarçado no meio das folhas do carrasco e enfeitado de flores e 🐝 abelhão , a urze e o tojo...
    Uma paisagem que visitei algumas vezes há quarenta anos!
    Gostei do enorme eucalipto e da oliveira já idosa...
    Obrigada.
    Boa semana Alice!
    Mena

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