Balanço


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Se eu rezasse, pediria compaixão

para os que não amam, para os que não sabem

para onde olhar quando estão sós e lhes falta

um rosto amado na memória, para os que

olham para uma flor e só pensam no dia em que

irá morrer. Talvez o amor não seja a única

salvação dos que precisam de tudo, nem

a cura para os males de quem não sabe

o que é o sonho. Porém, sem ele, as suas mãos

serão ainda mais vazias, e as suas noites

não terão o horizonte de uma luz ao

amanhecer. Penso em todos eles, por

quem rezaria, se eu rezasse, e é o teu rosto

que eu vejo à minha frente, são as tuas mãos

que procuram as minhas, e é a tua existência,

só pelo facto de existires, que acende

na minha noite cada futura manhã. E rezo,

afinal, no fim de tudo, rezo para que a tua voz

não me falte, o teu corpo se vista com o perfume

do campo e por ti corra, sempre, o rio deste amor.

 

 

Poema de Nuno Júdice

Comentários

  1. Lindo poema.
    Se eu rezasse pediria pouco, pelo menos para mim.
    Agradeceria pelo que tenho e, acima de tudo, pelos afectos dos que me rodeiam.
    Mena

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  2. Muito bonito!
    Feliz resto de noite e boa semana, Alice!

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