
Ilustração Ryo Takemasa
Ontem os meus vizinhos andaram em arrumações, são dois jovens rapazes, a mãe faleceu o mês passado, uma mulher na casa dos cinquenta, morreu vitima de cancro, presumo que nos tenhamos esquecido durante estes dois últimos anos que há outras doenças para além da covid-19, a não ser que elas nos batam também à porta. Há umas semanas disseram que agora iam à vida deles. E assim é. Estão-se despedindo pela última vez dos materiais aos quais a mãe deu uso. Vejo uma tábua de engomar, cestos, caixas, prateleiras, cadeira de escritório, vidros, molas de roupa...uma infinidade de despojos domésticos pessoais.
Parecem-nos banais estes objectos se estiveram numa prateleira de uma loja, mas serão assim tão banais quando nos livramos deles envoltos nas nossas mais queridas recordações?
No local onde estão os contentores de reciclagem está um mar de lembranças, daqui a algum tempo alguém lhes chamará de lixo, por agora ainda carregam os dias vividos de alguém.
Certamente chegará a hora da nossa ida, e não há objecto que dê para pagar a volta dessa viagem. Não nos é permitido levarmos bagagem, vamos como viemos. Sem qualquer necessidade carregamos demasiadas coisas. O objectos serão apenas sombras. O mais importante caberá apenas na nossa memória.
Eu infelizmente não me esqueci! Também pedi o.meu pai, para um cancro fulminante... Só tratei de doar a roupa. Na altura certa, trato do resto.
ResponderEliminarLamento Sofia, é sempre difícil a tarefa de termos de dar rumo ao que ficou, provavelmente nunca haverá uma altura certa.
ResponderEliminarBeijinhos
Para além da dor profunda, a sua morte trouxe outros problemas. Só quando os resolver, vou ter paz para fazer o luto e aos poucos indo resolver o resto.
ResponderEliminarPassamos a vida a acumular coisa, que de um segundo para o outro, nunca mais nos fazem falta. Bem podíamos, com menos coisas, viver.
ResponderEliminarBoa noite, Alice!
Desejo que tudo se resolva pelo melhor, acredita que é nesses momentos que descobrimos a força que há em nós e a qual desconhecíamos. X
ResponderEliminarSem dúvida, José, no entanto acordamos para isso quando já é demasiado tarde.
ResponderEliminarBoa noite.
Obrigado.
ResponderEliminarSerá sempre sobre o que fomos e não o que tivemos
ResponderEliminarHá coisas insignificantes mas lembram tanto certas pessoas que é impossível deitar fora
ResponderEliminarNão imaginas o quanto mexeu comigo este teu post.
ResponderEliminarGuardo com muita estima, alguns bens, dos entes queridos que já partiram, é como se tivesse um pedacinho deles comigo.
Beijinhos
Verdade, é sempre o que fomos que fica - para aqueles que nos são mais queridos, talvez por isso tenhamos a tendência de recriar hábitos que fomos vendo ao longo do tempo.
ResponderEliminarSim, é impossível deitarmos fora aquilo que aos nossos olhos é um tesouro.
ResponderEliminarSão símbolos importantes que nos podem dar alento, e um empurrãozinho de ânimo nos dias menos bons.
ResponderEliminarBeijinhos
Verdade!
ResponderEliminarÉ mesmo!
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