Pedras da calçada

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Muitas das nossas acções, juntando uma a uma, alinhadas ou desencontradas dariam para fazermos um longo passeio de pedra calcetada, dando espaço, fazendo aquela curva inesperada de um dia que se foi, escolhendo as pequenas, as defeituosas, dando um jeito nas ponteagudas. 


Quem sabe dando espaço a uma oportunidade de crescimento, ignorando balelas, deixando ir. De cócoras, ao sol, de joelho forçado ao chão, calcando tudo, até alisar o caminho. E quando menos preveres acontece. Acontece sentires que tinhas a tua certeza, que é plenamente tua, acreditar, sintoma de início. Pleno de agora, liberdade de escolha independente. Longe de pensamentos podres. Agora, sem limite à imaginação. 


Descobri lá no fundo do quintal, um vaso tão estreitinho, semeado pelo vento, entre duas pedras calcadas crescia sem grande pressa a flor rosa estrelada, envergonhada estendia a pernada fina percorrendo o limite entre o muro e o sítio onde os pés pisavam. Que importa a margem, que seja enquanto dure, a vida é plena mesmo assim. 

Comentários

  1. Existem vivências que são complicadas de viver. Tal igual como caminhar descalços pela pedra da calçada. É uma questão de hábito, determinação e compreensão? Aceito que sim
    Cumprimentos

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  2. Uma bela reflexão!
    Bela descoberta dessa planta a fazer pela vida.
    Mena

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  3. Bonito texto. A realçar o que de bom pode nascer em sítios improváveis, como prova a imagem.
    Que o sábado nasça bem e assim continue.

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