
A vida passa lá fora, como se nada fosse, e sinto que o meu tempo foi-me roubado nestes últimos meses, o que não fiz e queria muito fazer, se a minha vida acabasse agora estaria incompleta, provavelmente ficará sempre incompleta, mas quero que seja o mais preenchida na medida do possível. Quando somos jovens pensamos que temos todo o tempo do mundo, depois o tempo transforma-se num túnel, cada dia mais afunilado, e aí cada dia passa a valer muito mais que as vinte e quatro horas estipuladas. Deixamos de considerar como úteis tarefas que antes eram imprescindíveis, e sinto que talvez venha a valorizar as horas vazias e os dias de coisa nenhuma, pois neles completo aquilo que me falta, que é ter tempo para mim, como num final de uma maratona, que ao esforço importa apenas depois descansar.
A vida passa lá fora,
Ou na pressa de uma roda,
Ou na altura de uma asa,
Ou na paz de uma cantiga;
E vem guardar-se num verso
Que eu talvez amanhã diga.
Poema de Miguel Torga
.Por vezes o tempo não nos dá tempo para viver o nosso tempo. Depois, quando procuramos esse tempo, o tempo...já passou. Essa a verdade de todos nós.
ResponderEliminarGostei muito do texto e do poema.
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Abraço
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Grato pela partilha!
ResponderEliminarBoa semana!
Como, quase sempre, saio daqui com um sorriso ... e a pensar que o momento valeu bem o tempo ;)
ResponderEliminarObrigado pela partilha
É bem verdade que, à medida que envelhecemos, o tempo dura menos tempo!
ResponderEliminarÉ difícil equilibrarmo-nos na linha do tempo...
Mas dou por bem enpregue o tempo em que passeio por aqui.
Um jardim de palavras e "flores coloridas".
Mena