Deixa...


 

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Durante todo o mês de Março coloquei aqui poemas e fotografias que colhi perto de casa, é impressionante o quanto desconhecemos daquilo que nos rodeia, talvez porque não estejam logo ao nosso alcance, sim é preciso procurar, e fazê-lo com a devida atenção a cada pormenor. Há uma beleza sublime escondida no mundo silvestre, e um lado encantador entre cores e cheiros, numa descoberta, feita de primavera, em que as flores florescem por cores, começando pelas menos exuberantes, que são as primeiras a serem polinizadas, depois chegam as de cores vibrantes que espelham o fulgor que teve a criação. É incrível esta cooperação. Deixo-vos a flor do vento e um poema de Lita Lisboa. 


 





Deixa que o orvalho

lave a poeira dos caminhos.

 



Deixa que a pedra rosada se incendeie com o Sol

e que as chamas iluminem o destino

tão incerto e frágil, quanto a carne

que um dia, será apenas pó.

 



Deixa que o amor, num simples abraço se eternize

antes que o corpo nada mais precise.



Deixa que o sonho não seja fantasia

que ressuscite em cada dia

e fique gravado em cada um de nós !

 



Deixa!

 

Poema de Lita Lisboa

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