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A minha filha perguntou-me

o que era para a vida inteira

e eu disse-lhe que era para sempre.

 

 


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Naturalmente, menti,

mas também os conceitos de infinito

são diferentes: é que ela perguntou depois

o que era para sempre

e eu não podia falar-lhe em universos

paralelos, em conjunções e disjunções

de espaço e tempo,

nem sequer em morte.

 

 


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A vida inteira é até morrer,

mas eu sabia ser inevitável a questão

seguinte: o que é morrer?

 



Por isso respondi que para sempre

era assim largo, abri muito os braços,

distraí-a com o jogo que ficara a meio.

 



(No fim do jogo todo,

disse-me que amanhã

queria estar comigo para a vida inteira).

 

 


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Poema de Ana Luísa Amaral, Silogismos

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