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A minha vida é o mar o abril a rua
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espaço e no tempo a sua escrita


Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrará


Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento


A terra o sol o vento o mar
São a minha biografia e são meu rosto


Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento


E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada


 


Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen

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