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Tenho uma espécie de dever de sonhar sempre, pois, não sendo mais, nem querendo ser mais, que um espectador de mim mesmo, tenho que ter o melhor espectáculo que posso. Assim me construo a ouro e sedas, em salas supostas, palco falso, cenário antigo, sonho criado entre jogos de luzes brandas e músicas invisíveis.
Bernardo Soares , do Livro do Desassossego
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Tudo agora parece impossível, estamos dentro de um cerco invisível, as saudades agigantam-se e as preces são repetitivas, qual oração não o é? A nossa janela de oportunidade parece afunilar-se, como um óculo ao contrário. De longe a longe, faz-me falta o silêncio, faz-me falta estar sozinha, faz-me falta outras vozes. Sinto-me como aquela camisola de lã que encolheu com a lavagem inadequada, sou a mesma, mas deixei de ser quem era, num ápice. Tenho pensado muito que estou na minha etapa final, não viverei mais do que já vivi, importa-me começar, fazer o que não fiz, por em prática planos, e sobretudo acreditar, arriscar. Um pouco de loucura para terminar.
Ainda à pouco, os meus pensamentos estavam ao nível dos teus. Não creio que sejam maus, não senhora.
ResponderEliminarMaria Bethânia cai sempre bem.
Não são maus, são realistas, andam num vai e vem, a matutar-me diariamente. Terminar esta viagem com um pouco de loucura parece-me a cereja no topo do bolo. Tenha eu tempo e coragem para isso.
ResponderEliminarMaria Bethânia é voz que acalma e dá alento, é sempre bom ouvi-la.
Boa semana.
Uma cancão linda!
ResponderEliminarUma reflexão sentida e sábia, como a Alice costuma fazer.
Já vou mais à frente da linha da vida, falta-me menos de um terço dos anos que já vivi mas ainda há muitos sonhos para sonhar a alguns para concretizar!
Mena