Chega-te até mim

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Fotografia Tetty Bracard


 


Vem até mim, estou do outro lado do caminho parecem dizer as árvores umas às outras, posicionando-se lado a lado, como num baile antigo, e lá bem no alto quase que se tocam com uma delicadeza respeitosa, juntas e de porte altivo erguem-se para ver as estrelas, talvez orando ao universo, e deixando passar o sol até ao chão, todos somos um.


 




As árvores como os livros têm folhas
e margens lisas ou recortadas,
e capas (isto é copas) e capítulos
de flores e letras de oiro nas lombadas.

E são histórias de reis, histórias de fadas,
as mais fantásticas aventuras,
que se podem ler nas suas páginas,
no pecíolo, no limbo, nas nervuras.

As florestas são imensas bibliotecas,
e até há florestas especializadas,
com faias, bétulas e um letreiro
a dizer: «Floresta das zonas temperadas».

É evidente que não podes plantar
no teu quarto, plátanos ou azinheiras.
Para começar a construir uma biblioteca,
basta um vaso de sardinheiras.

 

 

 

Poema de Jorge Sousa Braga


 




 


 

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