
1.
ama os teus sonhos
como o teu próximo
ou como os sonhos
do teu próximo
mas se o teu próximo
não tiver sonhos
convém mandar o teu próximo
para muito longe
donde não te possa
contaminar

2.
não atravesses a rua
(ou a vida tanto faz)
com palavras ameaçadas de medo
leva em vez delas
um límpido silêncio onde
possas nascer para o dia claro
que se anuncia
nas janelas do quarto
não regresses à rua
(ou à vida tanto faz)
com gestos grisalhos de medo
leva em vez deles
um derradeiro aceno se
for caso disso
entre as dobras do sono
de quem ao. longe está
a ser feliz doutra maneira
e se no teu olhar houver um rio
a apressar a partida
não hesites
mas por favor
não atravesses a rua
(ou a vida tanto faz)
com madrugadas contagiadas de medo

Poema Alice Vieira, in O lado de Dentro, do Lado de Dentro.
Um poema deliciosamente bonito
ResponderEliminarBeijinho e bom fim de semana
Ou será o bolo poético? Acabadinho de encetar.
ResponderEliminarBom fim-de-semana. Beijinhos
Poema maravilhosos. Fascinante de ler. E o prato? Tem bom aspecto.
ResponderEliminar.
.
Desejando um domingo de Paz e Amor
Que rico poema para, o jantar, acompanhar
ResponderEliminarE, o prato, tão delicioso que nos faz sonhar
A poesia e a comida no mesmo caminhar
Para corpo e alma se poderem alinhar!
Boa semana.
ResponderEliminarQue bom receber comentários assim.
ResponderEliminarBoa semana.
Muito lindo
ResponderEliminarBoa semana.
ResponderEliminarAdoro o poema.
ResponderEliminarO bolo só tem o problema da bolacha mergulhada em café; mergulhasses em vinho do porto e eu tê-lo-ia comido antes de o poderes fotografar :))))))
Beijocas, Alice, até breve :**
Bom dia!
ResponderEliminarEsqueci-me. Para a próxima direi aos pasteleiros essa dica. :)
Beijinhos e Boa Semana.