
Ilustração Lovisa Axellie
A interacção do homem com o mundo passa totalmente pela janela dos sentidos.
José Predebon
Há sensações que estão relacionadas com o nosso próprio organismo, são introceptivas, a fome é uma dessas sensações. Essas sensações indicam na sua maioria desconforto, pode ser uma dor de cabeça, um mal-estar, calor, ou frio, provavelmente já aprendemos o seu significado ao termos essa experiência. Estas sensações são muito importantes para o bem estar do nosso organismo, porque nos permitem perceber o bom e o mau. Dependendo do que percebemos vamos agir de determinada maneira. Se a fome é uma dessas sensações, a que sentimos muitas vezes não passa de vontade de comer, mas e aquela fome que mata, se nos colocássemos na experiência o que poderíamos retirar dessa construção mental? Modificaria a nossa forma de ver o mundo? Ou continuaríamos a deixar passar ao lado como fazemos tantas vezes, por exemplo enquanto jantamos e vemos imagens e as notícias de gente esfomeada, vemos e sabemos que existem milhares de crianças que morrem à fome no mundo, temos uma leve sensação do que aquilo é, mas se soubéssemos na realidade essa sensação, seríamos nós capazes de reverter essa calamidade e tornar este nosso mundo um lugar melhor e mais justo?
Falta-nos colocarmos-nos no lugar do outro Alice
ResponderEliminarMuito boa reflexão
Beijinhos
Feliz Dia
"...mas se soubéssemos na realidade essa sensação, seríamos nós capazes de..."
ResponderEliminarNunca passei fome, mas não andei lá muito longe durante a infância, quando os meus pais regressaram a Portugal como "retornados" de uma das ex-colónias. Penso que sim Alice, que a experiência vivida e sentida na primeira pessoa nos leva a agir na medida das nossas possibilidades. Se cada um de nós ajudar um vizinho ou amigo a não passar fome (da verdadeira), o mundo todo será "um lugar melhor e mais justo".
Adorei esta reflexão!
O Vaticano é o País mais rico do mundo. Está recheado de ouro. Já alguma vez o Santo ( diz-se de quem bate na mão de uma peregrina ) Padre, doou algum (ouro) para matar a fome de milhões de crianças?
ResponderEliminarÉ que as palavras não matam a fome.
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Tenha um dia abençoado
Cumprimentos poéticos
É um exercício ao alcance de qualquer um, basta haver vontade.
ResponderEliminarFica bem. Beijinhos
Obrigada pelo teu testemunho. Não é por acaso que as pessoas mais solidárias são aquelas que menos têm, basta verificarmos a proporção daquilo que têm em relação àquilo que dão.
ResponderEliminarUm Abraço
Esse é apenas um homem, imagine o que seria, se cada um, entre todos os que existem no mundo desse o seu contributo? É assim como as gotas que formam um Oceano.
ResponderEliminarSim! Passei fome, e isso, acho que fez com que me preocupe com os que passam fome, com os que perdem os empregos, como está a acontecer. Quando as notícias são: " vão despedir 30.000, 20.000, 10, 100, 200" Do que vão viver as pessoas, nem todos vão ter subsídio de desemprego?
ResponderEliminarOutra das consequências é ficar incomodado, quando vejo estragar comida.
Obrigada José, por partilhar essa sua memória aqui, sendo que é um testemunho vivo desta terrível época da nossa recente História, que muitos tentam em contornar, arranjando desculpas para aquilo que fomos sujeitos como povo, e que apesar de tudo ainda se reflectem na nossa sociedade.
ResponderEliminarFique bem. Um Abraço.