
A 19 de maio de 1954 na aldeia de Baleizão, um grupo de camponeses dirigiu-se à residência do patrão. Entre esses trabalhadores rurais, contava-se Catarina Eufémia, grávida e com um filho de oito meses ao colo. Entre outras pretensões, reivindicava-se para as mulheres um aumento da jorna (salário de um dia de trabalho) de 16 para 23 escudos (o que representa na moeda atual - o Euro - um aumento de 8 para 11 ou 12 cêntimos), na campanha da ceifa. No entanto, a GNR apareceu, como tantas outras vezes, acabando por intervir duramente. Para além dos tiros para o ar, de intimidação e para dispersar a concentração de camponeses, outros houve que tiveram um destino mais cruel e sangrento. De facto, o tenente Carrajola, da GNR, no caminho do grupo de assalariados para a casa do patrão, matara Catarina Eufémia com vários tiros, que caíra para o chão com o filho ao colo. Este assassinato a sangue-frio foi uma das mais brutais ações do regime de Salazar, causando uma revolta surda e contida entre as massas rurais alentejanas.

E eu penso nesse instante em que ficaste exposta
Estavas grávida porém não recuaste
Porque a tua lição é esta: fazer frente
E não ficaste em casa a cozinhar intrigas
Segundo o antiquíssimo método obíquo das mulheres
Nem usaste de manobra ou de calúnia
E não serviste apenas para chorar os mortos
Em que era preciso que alguém não recuasse
E a terra bebeu um sangue duas vezes puro
Porque eras a mulher e não somente a fêmea
Eras a inocência frontal que não recua
Antígona poisou a sua mão sobre o teu ombro no instante em que morreste
E a busca da justiça continua
Só quem no Alentejo nasceu
ResponderEliminarA ceifa conheceu
É que pode avaliar
O que esta mulher sofreu.
Boa noite
Obrigada por lembrar a historia que nao pode ser esquecida. "Chamava-se Catarina o Alentejo a viu nascer..."
ResponderEliminarFoi uma morte infeliz e trágica… e, sobretudo, claramente desnecessária.
ResponderEliminarA Catarina é a nossa Joana d'Arc.
Que, esteja onde estiver o seu espírito, esteja em paz.
Abraço e … obrigado … por se lembrar desta nossa Heroína.
Tão triste! Acho que vale sempre a pena lembrar desta mulheres que morreram a lutar por aquilo que era certo, devemos também lutar nós para que a morte delas não tenha sido em vão.
ResponderEliminarObrigada por nos educar mais um bocadinho sobre esta mulher
Beijinho