Crianças em risco

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O desaparecimento da menina Valentina de nove anos de idade, nestes dias de confinamento, trouxe hoje à nossa realidade um desfecho macabro, pois o pai e a madrasta foram os autores confessos deste hediondo crime. Na notícia televisiva, disseram que esta criança já havia sido sinalizada pela protecção de menores, numa outra vez que saiu de casa do pai. Com as escolas fechadas, muitas crianças estão mais expostas à violência doméstica  e ficam sozinhas à mercê destas bestas, e são também as crianças que são sujeitas depois às psicoterapias, aos pais a avaliação psicológica e a obrigação de tratamento parece não existir. Havendo assim um círculo vicioso, em que a criança é duplamente penalizada, como se fosse ela o adulto e a culpada de viver certos tipos de situação. A Valentina é um rosto, agora visível, mas muitos outros existem sem que ninguém desconfie, ou seja porque pensa que a violência é um quadro que se pode ver a olho nu, quando na verdade a violência pode ser silenciosa, envergonhada, e até sorridente. Para se conseguir saber é necessário estarmos atentos a tudo, por isso trabalhar numa escola não pode ser para qualquer um, nem é um trabalho fácil e rotineiro. Quando alguém me pergunta "queres ser minha mãe?", eu sinto que não estou ali a trabalhar, estou muito mais para além do ordenado. Sinto-me em sentido de missão. As crianças em risco deveriam ser protegidas como únicas e não como mais uma. 


 


 

Comentários

  1. Tocaste-me, não tinha pensado na vossa posição ao lidar com crianças que podem estar em carência.

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  2. Mais uma monstruosa brutalidade, contra uma flor indefesa.

    Tem razão! As pessoas que lidam com crianças, se estiverem atentas, poderão detetar o sofrimento, que algumas crianças enfrentam, nos seus próprios lares.

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  3. Os motivos, qual foi o motivo, era bom saber-se.
    Ainda não apareceram nas TVs as senhoras do APOIO á criança.
    Por que será??

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  4. A pergunta "Queres ser minha mãe?" diz tudo, não diz?

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  5. Não consigo falar sobre isso de um modo claro, misturo muito os sentimentos, tenho de me munir de palavras e de fazer um esforço de maneira a consegui-lo...estas são dos primórdios do Conversas da escola: https://alicealfazema.blogs.sapo.pt/144015.html

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  6. É primordial valorizar os que se interessam, os que estão motivados para isso, formar esses recursos nesse sentido e olhar para os auxiliares como membros de uma equipa, fazer assim uma mudança de paradigma.

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  7. É nosso dever, como sociedade estarmos atentos e não ficarmos indiferentes, porque a indiferença também mata.

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  8. Alice, eu também fui professora durante muitos anos, estando agora já aposentada e sei como para muitas crianças o carinho que recebem na escola por parte de professores, auxiliares e colegas é muitas vezes o único carinho que conhecem. Daí às vezes até chamarem mãe à professora, o que acontece mais frequentemente no 1º ciclo, quando ainda são muito novos.

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  9. E em algumas escolas/colégios de elite vê-se cada uma... E mais não digo...

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  10. Quanto mais disfarçado o ramalhete mais difícil é de encontrar, tal como quando se pensa que os ladrões e os malfeitores são pessoas pobres...

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