
O dia hoje está tão quente que vamos beber o chá com violetas com umas pedrinhas de gelo. Este calor faz-me lembrar mergulhos e caminhadas à beira-mar, o cheiro a maresia no ar, gaivotas rasando as ondas e a fazerem inveja aos que as olham e queriam também eles ganhar asas. Assim, mesmo sem asas, hoje tenho aqui na minha sala, paisagens que muito amo, e das quais tenho imensas saudades, só me faltam os cheiros, porque em palavras o Robinson, descreveu-as com o requinte de um viajante experiente e observador, apelando deste modo à nossa vontade de ir e conhecer mais e mais, esses recantos que para mim são mágicos, singulares e encantadores, e que todos os que puderam ver, talvez partilhem também as mesmas emoções, quando se elevam neste pedaço de barro vermelho que é depois engalanado pela nossa Mãe Natureza.
Existe um pequeno cantinho, naquele que é talvez o mais diversificado distrito do país. Um cantinho que nos transporta para um mundo novo e completamente diferente. Passadas as colinas da Serra do Louro ou da Serra do Risco, ergue-se uma paisagem abençoada pelos deuses, a Serra da Arrábida.

Sebastião da Gama terá sido o grande poeta que foi, muito por culpa dos ares que se respiram daquelas terras. A pé ou de bicicleta, ou simplesmente estático a apanhar sol, a sentir a água do Atlântico, que ali tem uma cor especial, ou até, bem lá em cima, no Miradouro do Norte, a receber o ar marítimo - mil e uma histórias se cruzam e onde a Terra, não só a Humanidade, conta a sua longa história.

A cor da terra nas botas ou nas rodas da bicicleta - vens da Arrábida, com os pneus assim - mostram que chegámos de uma outra dimensão. Que percorremos vinhedos, que andámos por densos matagais, pelo alcatrão quente de Verão e por alguns dos mais belos trilhos do mundo. Em cada curva, em cada elevação encontramos os frutos da terra, que não se resumem às tão apreciadas uvas, mas também a um sem número de cultivos, um sem número de aves e bichos rasteiros, um sem número de casas apalaçadas, belíssimas paisagens e até alguns dos mais belos cães de raça "Serra da Estrela", quem diria...
Entre Palmela e Setúbal, entre Azeitão e Sesimbra, parar para um queijo, para uma torta e um chá, para um inesquecível roxo - um dia é pouco para se dizer que se conhece aquele mundo. Dúvidas? Peguem em tudo isso, invadam a Bataria do Outão e sentem-se em cima do mar... Coloquem a toalha junto de uma peça de artilharia de costa e deixem que a natureza e as iguarias da região façam o resto. Desçam e subam, parem para mergulhar...

A Arrábida é mais que o passeio pelo seu alcatrão, é ir serra e mato adentro, é chegar sujo, cansado e acima de tudo, então aí sim, terminar com um peixe bem grelhado no Portinho ou mesmo em Setúbal, com uma mesa e tudo aquilo a que temos direito.
Deixemos que "Serra-Mãe", do grande poeta com apelido de navegador, nos embale nestas aventuras... Para isso, sentemo-nos no caminho dos moinhos, já na Serra do Louro, e fechemos os olhos... Vamos escutar as palavras, vamos ouvir os rebanhos e os uivos do vento do Atlântico, que atravessam o Sado e entre os encontros com a serra chegam ao Tejo, bem visível lá ao longe.

Deixemo-nos embalar e quando as luzes do Castelo adornarem a paisagem nocturna de Palmela, deixemos a serra para os seus habitantes nocturnos e encontremos uma renovada cidade de Setúbal e se, não queremos deixar as alturas, nada como um copo no Forte de São Filipe e aí teremos a cidade aos nossos pés e Tróia a chamar por nós, quiçá para o dia seguinte.
Obrigada Robinson, gostei muito deste passeio maravilhoso, num espaço que me é tão querido.
Vizinho:
.Fotos encantadoras.
ResponderEliminar.
Um domingo feliz
Um dia da mãe esplendoroso de Paz e Amor
Cuide-se
Olá Alice,
ResponderEliminarObrigado pelo convite e por me dar tempo de antena para falar sobre a tão nossa querida Arrábida... Que se possa voltar aos passeios pela montanha o quanto antes, já sinto falta de sentir aquela terra barrenta!
Obrigado mais uma vez, pela honra que me deste!
Obrigada.
ResponderEliminarUm maravilhoso chá com violetas, num dia quente, que ao contrário do que muitos pensam, o chá apetece.
ResponderEliminarBoa semana, para ambos.
Adoro a Arrábida, é lindíssima. Fotos encantadoras
ResponderEliminarBeijinhos
Que saudades da Serra-Mãe. Um dos passeios que mais amamos cá em casa. Como vivemos no distrito, no concelho do Seixal, muitos domingos fazemos esse passeio deslumbrante entre a serra e o mar. A minha mãe adorava que lhe proporcionássemos esse passeio quando os meus pais vinham de domingo visitar-nos. Saudades de tudo isso.
ResponderEliminarO texto descritivo e as belas fotografias foram um passeio belíssimo, embora à distância. Bom domingo.
Lindíssimo texto e fotos mais do que inspiradoras da maravilhosa Arrábida... Parabéns a ambos, pela escolha do tema e pela viagem que nos permitiram fazer!
ResponderEliminarComo se diz pela Margem Sul com sotaque rapidamente enrolado:"'Brigade,' migue"! :)
Boa semana,
GC
Belas imagens (e texto) R.!
ResponderEliminarObrigada pela partilha! :)
Um beijo
Para a Alice, um Abraço Gigante e para o Ginjas uma festinha mimosa!
Dia Feliz!
Ainda há pouco bebi um Gorreana "Orange Pekoe".
ResponderEliminarEmbora esteja mais frio...
Boa semana, José
Obrigado e bons passeios... :-)
ResponderEliminarahahahahahahah
ResponderEliminarMuito bom!
Boa semana,
Hi MJ,
ResponderEliminarObrigado e um beijo :-)
É um lugar para desligar do mundano e entrar numa outra dimensão...
ResponderEliminarObrigado e uma boa semana,
P.S.:O Seixal está a ficar bem melhor. Uma baía daquelas, com os projectos certos, pode ser uma das mais belas do Mundo.
Obrigado Rik@rdo .
ResponderEliminarNem comento.
ResponderEliminarObrigada, Robinson, foi um gosto ter-te aqui, e hei-de arranjar coragem para ir até à Ribeira do Cavalo, em breve voltaremos a poder desfrutar desse lugar maravilhoso. Com a certeza de que me vou lembrar deste passeio quando apreciar ao vivo estas maravilhosas paisagens.
ResponderEliminarUm Abraço.
Muito bom, o chá sabe sempre bem em boa companhia, e com paisagens destas ainda é melhor, numa próxima levamos um moscatel.
ResponderEliminarObrigada José, uma boa semana também para si.
Cada caminho é uma agradável surpresa.
ResponderEliminarBeijinhos
Havemos de lá voltar para recarregarmos as nossas memórias com seus os cheiros e suas as cores. O interessante é que também fizemos este passeio num domingo, e ainda por cima cheio de Sol e em Dia da Mãe.
ResponderEliminarBoa semana.
Obrigada. Apá hoje to toda arrenbentada, foi munta arreia pá minha caminete, mas na to arrepezâ, foi benite, é aproveitarr enquanto não há camónes.
ResponderEliminarObrigada Zé. Um Abraço Gigante também para ti, o Ginjas quer antes uma fatia do bolo com sementes de papoilas.
ResponderEliminarSai uma fatia bem generosa para o Ginjas!
ResponderEliminarEstá entregue.
ResponderEliminarAs flores valem por mil palavras.
ResponderEliminarGostei tanto do passeio pela Arrábida!!!
ResponderEliminarDiverti-me imenso!!
Beijinhos
Feliz Dia!
Oh, Maria. Muito obrigado :-)
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