
Filipe Duarte
(1973 -2020)
Os olhos da boas pessoas são olhos cansados, com rugas à volta, e pálpebras descaídas, porque alcançam visões que nem todos são capazes, porque tiveram que ver e dormir sobre problemas que ninguém quer saber, são rugas marcadas que seguraram os dias de amargura, os olhos das boas pessoas são mais fundos e baços, porque deixaram o brilho espalhado por onde andaram. As boas pessoas vão-se demasiado cedo, é impossível entender, mas as mensagens curtas, trazem consigo a mesma essência das exaustivas, sem no entanto corrermos o risco de não saber o fim. Para entender, basta olhar nos olhos da pessoas boas. Os olhos das boas pessoas ficam para sempre.
Texto muito bonito, concordo completamente, são as boas pessoas que vão mais depressa e os ohos delas são os que melhor contam as suas histórias
ResponderEliminarPost muito bonito. Fiquei em choque com a notícia, um ator que muito admirava, era extraordinário, nas peças, no cinema, na poesia...
ResponderEliminarOh Alice, fiquei chocada com a partida de Filipe Duarte. Um dos meus actores favoritos!!!
ResponderEliminarBeijinhos
Bom Fim de Semana!
E os olhos das pessoas boas?
ResponderEliminarO que define uma "boa pessoa" E uma "pessoa boa"?
É o homem capaz de julgar o seu semelhante?
Aqui não se trata de trocadilhos, apesar de neste caso a vida lhe ter trocado as voltas, sim o homem ou a mulher é capaz de julgar o seu semelhante, num actor podemos ver isso através das emoções que conseguimos receber do seu personagem, a capacidade de entrega e o estudo que é necessário para que venhamos a compreendermos aquilo que se vê num ecrã ou num palco, a arte de nos fazer pensar e entender o outro, não no sentido de o julgar como um culpado ou como um inocente, mas antes naquilo em que e como se tornou.
ResponderEliminarTão certo " as pessoas boas vão demasiado cedo."
ResponderEliminarTão correcto o que disse.
Obrigada
maria
Um dos homens mais bonitos de sempre. É assim a vida...
ResponderEliminarpara que venhamos a compreender
ResponderEliminarCaríssima Alice os "olhos" do ator iluminaram a sua inspiração...ou a sua súbita e precoce partida talvez! Texto curto, mas muito bonito, poético, odorífico, colorido, denso, como os campos franceses onde cultivam a "sua" alfazema.
ResponderEliminarDeixe-me terminar com aquele poema do Yates e que consta na sua simples pedra tumular:
"com um olhar gélido sobre a vida, outro sobre a morte; cavaleiro segue o teu caminho"