
Ilustração Takeshi Jonoo
A maior parte de nós tem passado as últimas semanas a viver à janela, é através das janelas que estamos também a abrir as nossas futuras portas, e há quem diga que tem medo do futuro, e quem diga que vem aí muita fome, e quem não saiba o que fazer, e quem vá ficar sem o emprego, e quem tenha medo de apanhar a doença, mas haverá um dia em que temos de sair e enfrentar tudo isto. Claro que vai ser assim, mas sempre foi assim, muita gente passa fome no mundo, muita gente não tem emprego, muita gente é refugiada, muita gente enfrenta outras doenças. Temos que conseguir resolver estes problemas com a criatividade que nos tem feito sobreviver à janela, viver com menos, partilhar mais, pode parecer redutor para quem cresceu a valorizar fortunas, mega fortunas, para quem procura nas pechinchas baratas o melhor do seu dia, mesmo sabendo em que condições foram elaboradas, pode parecer uma utopia para quem sabe apenas gerir com base em salários baixos para os "colaboradores" e salários enormes para os gestores de topo. A sua criatividade não vai para além disso. O que temos de fazer é uma "Revolução de Atitudes", ouvi dizer ontem o rapaz do Black Pig Gin, o Miguel Ângelo Nunes, gostei bastante da sua atitude e desta designação - Uma Revolução de Atitudes - é isto mesmo, não podemos mais continuar a viver a vida como seres apáticos, valorizando demasiado os valores materiais, menosprezar a Natureza e o planeta, andarmos como escravos sujeitos às modas, sem pensamento crítico, constantemente rezando a oração de que isto está mal, que aquilo não é possível, num autoritarismo depressivo que nos leva aos confins do pior que existe em cada um. Este é um excelente e breve momento na nossa existência para mudarmos as nossas atitudes e as nossas prioridades de vida, a cada um a sua - janela da oportunidade.
Sem dúvida! Há dias, alguém dizia:" por que razão havemos de ter meia-dúzia ou mais carros de alta gama numa garagem".
ResponderEliminarA filha dum banqueiro, desabafou no face book, dizendo que o pai morreu por causa duma coisa que não custa dinheiro, morreu com falta de ar.
Boa noite
Gostava de acreditar que somos capazes dessa mudança. Mas conhecendo o Ser humano, não consigo. Vão ser a meia dúzia de sempre, contra o resto da humanidade.
ResponderEliminarLembrei-me de uma outra coisa. As luvas e as máscaras usadas estão por todo o lado, precisamente onde não deveriam nem poderiam estar. Onde está a consciência humana?
ResponderEliminarAdorei Alice. Partilho a 100% essa perspetiva: "não podemos mais continuar a viver a vida como seres apáticos, valorizando demasiado os valores materiais, menosprezar a Natureza e o planeta"!
ResponderEliminarBoa semana!
Infelizmente,não consigo pensar de maneira positiva,quer dizer,consigo sim,contudo,com muitas dificuldades!! Acho que seremos pessoas diferentes depois desta fase passar e vamos andar sempre com medo do que possa vir a acontecer,ou seja,vamos sempre ter medo de um novo surto da doença do coronavírus nos poder vir a assombrar,infelizmente,assim é a vida,mais curta do que comprida!! Muito boa semana para ti,muitos beijinhos e até breve!!
ResponderEliminarBastava cada um de nós fazer a sua própria revolução de atitudes e o mundo seria um local muito melhor.
ResponderEliminarGostei muito da prespetiva do post
Completamente de acordo Alice!!!
ResponderEliminarQue sejamos criativos.
Acredito que nos vamos recriar!!!
Beijinhos
Boa Noite
Gostei muito da tua perspetiva "revolução de atitudes" . Acredito que sairemos desta com uma outra atitude e que daremos a volta por cima, mas também considero que muitas pessoas só vão querer voltar a ter e a ser como era antes, infelizmente. O ser humano é demasiadamente egoísta.
ResponderEliminarBeijinhos, Alice
Alice Alfazema, como gostei deste belo texto. Parabéns.
ResponderEliminarAlice,
ResponderEliminarMuita gente parece acreditar que disto tudo vai surgir um estado de coisas ligeiramente melhor e tem sido interessante ler as diferentes perspetivas, das mais cínicas às mais esperançosas, sobre o assunto.
Pela minha parte, quero muito acreditar que algo vai sair desta situação toda. Pela primeira vez nas nossas vidas, temos a confirmação que é possível continuar a fazer muito com menos deslocações, menos carros, menos aviões. Até mesmo a experiência dos primeiros dias serviu como "vacina" coletiva contra o açambarcamento: se levarmos aquilo de que precisamos, não precisamos de mais.
Será que a vacina, todavia, para roubar a frase ao presidente da Assembleia, oferece uma imunidade generalizada e prolongada? Vamos ter de esperar para ver.
Pela minha parte, gostava de dizer que chego ao fim do estado de emergência com mais alterações e melhorias ao nível do meu quotidiano, mas a ansiedade e a incerteza não ajudaram muito. A coisa de que tiro mais satisfação pessoal é mesmo o facto de ter insistido cá por casa para continuarmos a separar o lixo e me ter oferecido para deixar os resíduos recicláveis no ecoponto ao fundo da rua. Não é muito, mas o importante é, como o post sugere, continuarmos a pensar criticamente sobre estes assuntos, e fazermos os ajustes que estejam ao nosso alcance.