
Hoje é um dia único, é dia 25 de Abril e estamos num Estado de Emergência, por causa de um vírus que nos obriga a estar em casa e a festejarmos trancados o dia dedicado à Liberdade, hoje este chá de violetas, é servido ao José Silva Costa, que veio visitar-me e trouxe-me um presente muito especial, como sabem eu venero a Serra da Arrábida, que tem recantos mágicos, cheiros inesquecíveis, e memórias que jamais voltarei a viver, esta será mais uma recordação que irei juntar às muitas que tenho da Serra. O José calçou as botas cardadas e inesperadamente voltou também ele a este lugar mágico, trazendo consigo as suas memórias e o seu testemunho em forma de fado, sobre um pedaço da sua vida, que fez parte da sua mocidade, e transformou para sempre a sua vida e direi eu - os seus sonhos. Um cravo também para este homens que viveram a Guerra do Ultramar, a maioria sem saber ao que iam. ![]()
Foi a última etapa da preparação para a Guerra Colonial, em 1969, antes de ir para Angola.

Fado
Foi na bela Serra da Arrábida, que me coube a conclusão
Da dura preparação, para a guerra, onde não queria a minha inclusão
Nela, acampamos por umas semanas
Lá no cimo, por cima do Portinho da Arrábida
Recusei-me a nascer antes da guerra acabar
Acabaram por, para a guerra, me mandar
Contra tudo o que fiz, para não embarcar
Numa manhã de Julho, domingo, quando as pessoas, à praia, estavam a chegar
Fizeram-nos, da Praia dos Galapos, a serra trepar, na vertical
Que Bela Serra, a da Arrábida, e a sua linda Cidade de Setúbal!
Onde na sua bela avenida, nos fizeram desfilar
Para recebermos os aplausos da despedida
De tão nobre povo que, de braços abertos, nos acolheu
Foi um ato muito triste, doloroso e honroso
Por ser, por irmos, para a guerra.
Parafrasear Bocage
Bocage, grande Bocage
O meu fado não é semelhante ao teu
Quando os cotejo
Mas, igual causa nos fez perder o Tejo.
José Silva Costa
Obrigada José, gostei imenso de tê-lo por cá e das palavras com que me presenteou. Esta imagem deixa antever Galapos e Galapinhos, é logo por detrás da árvore. ![]()
Vizinho do blogue:
Belo texto e bela foto, José!
ResponderEliminarDia Feliz para ambos!
Beijinhos, Alice
Olá, Alice!
ResponderEliminarMuito obrigado por este chá, que estava maravilhoso, foi um gosto, ter sido recebido no seu encantador cantinho.
O passeio, pela serra da Arrábida, não podia ter sido melhor, porque a Serra é encantadora,e nela podemos descansar o olhar.
Quem sai da Praia dos Galapos, e sobe a Serra em linha reta, depara-se com uma rocha quase intransponível, para a vencermos, tivemos de ajudar o mais ágil a escalá-la, para içarmos os restantes com a ajuda da espingarda.
Muito Obrigada Zé, este foi um texto que tanto me emocionou como me surpreendeu, e pensar que temos estado a viver à janela, quase parece uma lição de História.
ResponderEliminarBeijos
Obrigada José, por esta partilha tão importante, a pé pela mata só fiz desde o Convento da Arrábida até à praia de Alportuche, fiz também desde Setúbal até ao Convento, mas foi pela estrada, é interessante recordar, coisas que até pareciam esquecidas, muito bom. Da próxima quando for a Galapos, ou por aí passar, vou lembrar-me de si e daquilo que aqui ficou escrito.
ResponderEliminarUm abraço.
Mais uma vez, muito obrigado, pelo convite.
ResponderEliminarFoi um exercício muito difícil, mas muito importante para o que nos esperava.
Tirei o curso na Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, onde a instrução era muito rigorosa, ao que fiquei ontem a saber, por o Salgueiro Maia, depois da sua primeira comissão em Moçambique, quando voltou a Santarém, ter dito que quanto melhor a preparação, menos mortos.
Isso dava uma bela serie televisiva...é fascinante saber destes pormenores, acredito que fez a diferença, é na experiência que melhor aprendemos.
ResponderEliminarEm tudo, quanto melhor a preparação, melhor o desempenho!
ResponderEliminarUm abraço
O José é um Senhor :-)
ResponderEliminarEu fiquei fascinada.
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