Se em vez de comentários recebêssemos cartas, estou certo que poderíamos cheirar o perfume de algumas, um perfume de jardim, de terra lavrada, de flores cuidadas, de gratidão. Essas poderiam ser envoltas com uma fita cor-de-rosa encabeçada por um sumptuoso laço e guardadas numa pequena caixa de cartão numa das gavetas da escrivaninha. Afinal, temos sempre a ilusão de guardar os nossos pequenos prazeres na esperança de os poder reviver quando retornar o desejo.
Outras iriam queimar-nos a ponta dos dedos, mesmo que as não tocássemos. Chegariam repletas de palavras corrosivas e tóxicas. Seriam até capazes de nos engolir caso nos deixássemos levar. Mesmo depois de destruídas deixariam sempre para trás aquele ar fétido de vómito fresco.
Outras seriam feitas de essência de borboletas, leves e coloridas, embora esvoaçantes e ariscas. Demasiado efémeras e irrequietas para ficar (até na memória). Seriam, porém, doces.
Por fim, as últimas não seriam cartas recebidas. Talvez nem as reconhecêssemos à primeira vista, mas seriam simplesmente os reflexos das cartas que outrora enviámos, agora impregnadas com as fragrâncias dos caminhos percorridos.
Já lá vai o tempo
ResponderEliminarDeixei aí o meu endereço.
ResponderEliminarEnviava-te uma carta!
ResponderEliminarEntão escreve que eu publico, está aí o endereço.
ResponderEliminarSe em vez de comentários recebêssemos cartas, estou certo que poderíamos cheirar o perfume de algumas, um perfume de jardim, de terra lavrada, de flores cuidadas, de gratidão. Essas poderiam ser envoltas com uma fita cor-de-rosa encabeçada por um sumptuoso laço e guardadas numa pequena caixa de cartão numa das gavetas da escrivaninha. Afinal, temos sempre a ilusão de guardar os nossos pequenos prazeres na esperança de os poder reviver quando retornar o desejo.
ResponderEliminarOutras iriam queimar-nos a ponta dos dedos, mesmo que as não tocássemos. Chegariam repletas de palavras corrosivas e tóxicas. Seriam até capazes de nos engolir caso nos deixássemos levar. Mesmo depois de destruídas deixariam sempre para trás aquele ar fétido de vómito fresco.
Outras seriam feitas de essência de borboletas, leves e coloridas, embora esvoaçantes e ariscas. Demasiado efémeras e irrequietas para ficar (até na memória). Seriam, porém, doces.
Por fim, as últimas não seriam cartas recebidas. Talvez nem as reconhecêssemos à primeira vista, mas seriam simplesmente os reflexos das cartas que outrora enviámos, agora impregnadas com as fragrâncias dos caminhos percorridos.