Era uma vez um Rio, que corria de Sul para Norte, passava por serras, montes e vales, e vinha desaguar a um estuário que tinha como fim um Oceano imenso. Esse rio era manso e azul, "em certos dias tinha mesmo a cor do céu", as suas margens eram gémeas e nele viviam muitos animais. Tinha uma das pradarias marinhas mais importantes do país, onde nasciam as mais variadas espécies, e que serviam também para alimentar e proteger os golfinhos que por lá viviam, as pessoas que por ali viviam faziam desse espaço o seu modo de vida, e no mercado daquela cidade havia muito bom peixe, faziam até festivais alusivos à qualidade desse peixe, por diversas vezes a imprensa falou disso e as pessoas vinham de muito longe para comer peixe nessa cidade.
No entanto um dia o céu escureceu e o rio ficou da cor do chumbo, as suas lamas foram revolvidas e foi aberta uma grande fenda no leito do rio, era um buraco imenso por onde podiam entrar grandes navios, uma verdadeira auto-estrada marinha, para abrirem essa fenda levou-se muitos dias, seis meses, dia e noite a draga retirava areia e mais areia e tudo o que viesse atrás, o rio ficou castanho, as pradarias morreram porque não tinham oxigénio, devido às águas turvas e contaminadas pelos depósitos que tinham ficado durante décadas no leito do rio, os golfinhos adoeceram, ninguém sabe se vão sobreviver, são cerca de duas dezenas apenas.
No Verão aquela cidade era muito visitada, muitos famosos iam lá comer e passear naquele rio, mas nenhum deles se importou com aquela matança, nem mesmo sabendo que as areias retiradas do rio iam ser depositadas em frente às praias da zona, naquele tempo o orçamento de Estado contemplava medidas contra as alterações climáticas e eram punidas as pessoas que maltratavam gatos e cães, algumas pessoas manifestaram-se contra esta grande maldade que estavam a fazer ao Rio, que era a casa de muita gente com escama e sem escama, houve uma petição contra esta destruição do nosso património natural, que atingiu o número suficiente para ser discutida em Assembleia da República, mas ninguém ligou patavina, porque o dinheiro é o mais importante, principalmente quando é muito.
A grande árvore metálica e reluzente continua a brilhar na avenida principal da cidade, é Natal, a draga está a postos nas águas calmas do Sado, as pessoas fazem compras apressadas, e agasalham-se por causa do frio, vão para casa, algumas acendem lareiras, sentam-se confortavelmente à sua mesa, na sua casa, no seu espaço, no sítio que mais preservam. Entretanto a draga continua a destruir a casa dos outros. Mas que importa isso é Natal!
Feliz Natal!
Que triste!
ResponderEliminarBom Natal!
Feliz Natal Alice!
ResponderEliminarÉ necessário continuar as manifestações e o trabalho de sensibilização das pessoas como fazes aqui. Não é por acaso que Setúbal elegeu um deputado verde! É preciso dar sinais claros ao governo nas próximas eleições.
Por alguns dias ainda houve esperança de que o processo de alteração/destruição do rio fosse travado...
ResponderEliminarMas durou pouco!
Nada será igual na cidade, no rio e sobretudo na vida dos seres vivos que habitam essas águas.
Mena
Que todos voltemos a ser Rio, manso, azul, cheio de vida...
ResponderEliminarParabéns e bom natal!
Uma história muito triste, onde a destruição do meio ambiente é cada vez mais gritante...
ResponderEliminarObrigada pelo alerta que fazes!
Feliz Natal!
Todos são ambientalistas! Mas, como sempre, o dinheiro é quem manda.
ResponderEliminarBoa noite
Parece que o Governo, o País, todos nós, só somos ecologistas da boca para fora.
ResponderEliminarQuando é preciso enfrentar grandes obstáculos ou fechamos os olhos ou vamos pelo caminho mais fácil para não dar muito trabalho.
Quando mais tarde todos decidirem abrir os olhos já não vai haver nada para salvar.
O mal causado vai ser tão grande, que o suposto lucro dos interessados nesta destruição vai ter sabor a veneno.
Guadalupe
Que choradeira! Haja paciência. Uma ode à pobretanisse.
ResponderEliminarA minha cidade...isto também me deixa muito triste, assinei petições e fui para a rua, mas soube-me a pouco.
ResponderEliminar~CC~
Ai Alice, que despachada que tu és. Já tinha visto este post, mas não sabia que já era o teu conto.
ResponderEliminarÉ um conto sim senhora, bonito e triste, fizeste bem em aproveitá-la para o desafio. Uma muito boa chamada de atenção, para mim inclusive, para um grande problema real e que não se entende o porque de não ser mais atendido. Só nos resta tentar entender o que move certas pessoas. Beijinho.
A esperança dos ambientalistas
ResponderEliminarNos políticos ditos ambientalistas
Nos Governantes ambientalistas
Depois, só nos saem artistas.
Estive algo afastada, só hoje aqui cheguei... muito bom conto de (triste) Natal :(
ResponderEliminarMuito má a história onde te inspiraste.
Muito pouco o que quem deve fazer tem feito - e nada mudará por ser Natal :(
Boas Festas, Alice!
Beijos