A Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra, S.A. (APSS) é dona do Sado e dos seus recursos Naturais?
O navio Libertas continua o seu périplo pela barra e estuário do Sado, fazendo as medições finais necessárias à intervenção das dragas.
Depois de sondar todo o canal de navegação, esteve nas últimas horas a cobrir por completo o local a que a APSS e a DGRM deram o nome de "polígono de TUPEM nº 30/01/2019" e que entendem ser o ideal para depositar 2,6 milhões de metros cúbicos de sedimento onde as análises do IPMA identificam contaminações de classe 1, 2 e 3 de componentes como o mercúrio, cádmio ou hidrocarbonetos aromáticos policíclicos.
Para compor o cenário de terror, estas análises do IPMA são apontadas por diferentes pareceres técnicos como sendo insuficientes e menosprezadoras do grau de contaminação e risco envolvidos, para além de não terem em conta os potenciais riscos da mistura destes componentes pela acção de dragagem.
Quem vive o Sado, e sobretudo quem vive do Sado, conhece esta zona por outro nome: a restinga de Tróia. Sabe que é ali que nasce muita da vida que torna o estuário do Sado tão especial. E também sabe que - como previsto no próprio Estudo de Impacte Ambiental - a deposição de dragados poderá causar impactes irreversíveis na regeneração das espécies que fazem da restinga a sua maternidade e que garantem a riqueza e qualidade do pescado da região, famoso além-fronteiras.
É esta irreversibilidade que tem causado tanta polémica, e motivou uma fortíssima oposição à deposição por parte da comunidade piscatória de Setúbal.
A esta revolta, a APSS respondeu à saciedade que não faria qualquer utilização da licença obtida “até que exista uma solução de consenso com os pescadores”, num gesto pretensamente magnânimo que só poderia nascer da mente tortuosa de quem se julga dono dos recursos naturais e da biodiversidade da região, e que deles pode servir-se como moeda de troca para avanço dos seus interesses.
Ca chata. Nobody cares.
ResponderEliminarNinguém devia ser dono do ar, da água, do rio e muito menos da vida dos seres que aí habitam.
ResponderEliminarQuem diz que barcos gigantes, muitos turistas e o mais que virá , se traduzirá em melhorar a qualidade de vida dos que vivem do rio ou na cidade?
Mas como li algures " quando o deus é o dinheiro (e a ganância), todos os dias são black friday.
Neste caso bem black!
Mena