A mãe que deitou o bebé no lixo chama-se Sara e tem 22 anos, não tem morada, nem cama, nem nada (gosto deste texto pela verdade que descreve). A mãe que deita o bebé na rua e não lhe dá o pequeno-almoço, nem conversa com ele, nem quer saber se vem bem vestido para a escola, a mãe que engorda o bebé como se fosse um porco para a matança, a mãe que grita e bebe e só quer saber de redes sociais, a mãe que muda de namorado todos os meses, a mãe que deixa sempre o filho na avó, a mãe que trabalha até mais não, procurando apenas o trabalho, a mãe que não abraça, a mãe que não afaga, a mãe que tudo compra para compensar o resto, a mãe criançola, a mãe destrutiva, a mãe deprimida, a mãe noctívaga, a mãe que se preocupa mais com o tamanho das unhas e as madeixas do cabelo, a mãe que quer ser irmã em vez de mãe, a mãe porca e desleixada, a mãe stressada, a mãe que culpa os filhos, a mãe que exige que se comportem como adultos, a mãe que desculpa tudo, a mãe que não impõe regras. Todas estas mães deitaram os filhos no lixo.
E, há quem a critique por não ter vestido o filho com a melhor roupinha que tinha, com um gorro de lã na cabeça, para não arrefecer, deixá-lo á porta de uma casa de acolhimento!
ResponderEliminarÉ tão fácil apontar o dedo, principalmente quando assistimos a tudo de sofá.
ResponderEliminarPuxa, que coisa castradora ser mãe...Acho que não quero.
ResponderEliminarNão é castrador, apenas começamos a viver de uma outra forma, sermos "mãe" dá-nos acesso a um amor incondicional, de parte a parte, é certo que exige resiliência, e quando damos por isso estamos a milhas do que fomos, mas não é algo mau, porque recebemos bastante. É também algo que se aprende.
ResponderEliminarUsei esse termo porque ao ler isto pensei: nunca vou conseguir cumprir isto tudo - não ser infantil, não ser desleixada, não abraçar de menos, não trabalhar de mais, não ter vida sexual, não ser deprimida, não ser boa dona de casa...Mais vale não ter e evitar que vão para lixo então. Não me parece que ninguém consiga, em especial quando tudo isso só parece ser exigido de uma das partes...Não resolve a apontar o dedo à miúda que atirou o bebe fora, mas uma lista de más mães também não - ao olhar para um caso como este penso no aumento da pobreza, falta de habituação, falta de apoio social e apoio à saúde mental, por exemplo.
ResponderEliminarDeitar um filho no lixo não é ser mãe, é ser progenitora. Pariu apenas, porque a natureza obriga a expulsão do nascituro. Pelo filho, que certamente não desejou mas gerou, devia ter feito um pouco mais, talvez até "arriscando"o seu estatuto de mulher desamparada e socialmente escorraçada.
ResponderEliminarMais do que branquear a imagem da progenitora com a enumeração das dificuldades da existência física e psicológica - e pobre dela que as tem, como pobre é o país que assim permite - é necessário responsabilizá-la pelo acto extremo, mesmo que este resulte da extrema forma de vida.
Há mães que o são no cartão de cidadão dos filhos: descuidadas; as que gritam e batem desalmadamente;as que se esquecem dos filhos fechados em casa e todo o rol que apontou, talvez a maioria aplicando o copy & paste que passou na sua infância. Não é desculpa para terem o título de mães.
Haverá por aí muitos dramas como este, muitos deles camuflados pelos dramas e tricas das novelas burguesas, assistidos fora dos ambientes da rua, em casas aquecidas e sofás relaxantes.
Posto isto, concordo (e quem sou eu para discordar) com a peça, que gostei de ler.
Sara, quando enumerei estes "casos", fi-lo com a intenção de referir aquilo que se passa no quotidiano, e nem referi as que violam os filhos, uma mãe pode estar deprimida, stressada, sem vontade sexual, ser acriançada, mas querer ser mãe é contornar tudo isso, não é deixar de existir, nem deixar os filhos à deriva. Há uma enorme lista de más mães, e pais também, ambas as partes têm e devem ser responsabilizadas. A pobreza pode ser um factor, mas não é determinante, há muitos mundos por aí.
ResponderEliminarSe não queremos filhos é uma opção nossa, mas se os temos é necessário adaptarmo-nos, criar novos hábitos, há por aí crianças muito infelizes, a realidade é tão má como ver aquela criança no lixo.
O que eu queria dizer é: não percebi o que é que isso,outras mães que fazem isto ou aquilo, acrescenta para o caso de uma sem abrigo grávida a viver numa tenda numa rua de Lisboa à vista de toda a gente...Acho que há problemas concretos a precisar de discussão e perde-se muito no ruído, infelizmente hoje em dia acontece com todos os assuntos...
ResponderEliminarO que acrescenta: o problema é parte da realidade, à vista de toda a gente as outras mulheres também cometem atrocidades, é um caso de ajuda, não de crucificação, provavelmente essa sem-abrigo sofreu daquilo que estou falando.
ResponderEliminarGrande verdade Fernando, quando as pessoas pensam que apenas na pobreza existe este tipo de agressão muito mal vai a sua sociedade.
ResponderEliminarTantas, mas tantas...
ResponderEliminardemasiadas.
ResponderEliminarVerdade, e todas essas mães deviam ser responsabilizadas como esta!!
ResponderEliminarhttps://titicadeia.blogspot.com/