Antes,agora,depois...

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Ilustração Liese Chavez


 


Durante um tempo fui especialista em fazer, mal-me-quer/bem-me-quer, fazia-o com as flores da camomila, quando queria saber de alguma coisa, apanhava uma e zás, depois deixei de ter interesse, porque já conhecia de cor o resultado, percebi que tudo se resume a sequências, por vezes à excepção, mas na realidade a verdade depende das nossas escolhas e do nosso esforço. 


 


As nossas escolhas, num determinado tempo não dependem de nós, no entanto a crença essa é-nos totalmente nossa, tal como num jogo de xadrez temo-nos que nos posicionar no nosso melhor lado, é verdade que também acontece outros nos obstruírem o caminho, procurando eles a sua melhor direcção, então cabe-nos desviar, contornar, ou continuar, mesmo sabendo que sequência nos vai sair. Há quem chame zona de conforto, eu chamarei zona decalcada, porque quando estamos demasiados pisados já não nos conseguimos erguer, tal como um fóssil, estamos ali, não porque nos é confortável, mas apenas porque pensamos não caber em mais nenhum lado. E por vezes nos fazem crer disso. 


 


Deixei também de apreciar a desfolhada das flores, porque preferi vê-las no prado, onde me pareciam mais bonitas, até sedutoras, a minha atitude não levava a nada, compreendi que o caminho não é estático, mas dinâmico, e que se formos um fóssil temos de esperar, talvez eternamente, que alguém nos mova de lugar. Talvez seja possível reverter a situação, quando voltarmos a acreditar em nós, estarmos dispostos a mudar de lugar, dá-nos uma outra abrangência da vida e das pessoas, conhecemos outra gente, não é necessário conhecer muita gente para mudar, às vezes basta apenas uma pessoa para que visionemos um outro caminho. Se não nos apreciam, ou acham que valemos tão pouco, porque nos damos tanto? É uma sequência. Uma roda viva.


 


Sair desse esquema exige esforço e disponibilidade mental, pode até levar anos a nos percebermos disso, porque nos esforçamos por insistir naquilo que gostamos, mas e se aquilo que gostamos nos está a esgotar? A nos deixar desfolhados? Mais vale mudar de prado. Muda a tua sequência e a vida muda para ti. Pega na tua flor, e planta-a em outro lugar. Sê livre. Ergue-te como quem se ama. Vive. Procura a tua luz, tal como uma flor, ou um pássaro. Caminha como um felino, leve e sem pressa, respira pela barriga. Nada como um peixe no meio dos corais e das anémonas, aprecia a beleza, apesar de algum veneno. Cria raízes, na tua mente, tal como uma árvore que enfrenta as adversidades do tempo, da montanha, ou de um vale inóspito. Enrola-te como uma serpente, quando sentires necessidade de aconchego. Estica-te como uma lagarta quando quer chegar mais longe. Explode como um vulcão que quer manter-se activo. Agarra-te como quem pega numa pedra preciosa, aprecia a beleza e o toque. Limpa-te como se fosses uma pedra num rio que corre calmo e alegre. 


 


Não é preciso palavras para mudar, nem pressa, nem conflitos, nem paciência, nem amor, nem ódio, apenas acção. Uma sequência, antes, agora, depois, antes, agora, depois...sem darmos por isso estamos lá. 


 

Comentários

  1. Que belíssima reflexão, Alice!
    (subscrevo-a, se me permites...)
    Boa noite!

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  2. Soube bem ver isso escrito, tão bem escrito.

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  3. Que post maravilhoso! Muitos Parabéns!

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  4. É como diz " sem darmos por isso estamos lá"

    Boa semana

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  5. Gostei do texto. Retive a expressão da "zona de conforto". tenho uma colega que usa muitas vezes essa expressão. Muitas vezes é apresentada de forma pejorativa, mas acho que depende muito das situações. Uma rede dá sempre outra segurança.

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  6. Sim, não é de menosprezar o conforto, nem cuspir no prato que se come. ;)

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  7. Que lindo texto, Alice. Obrigada

    «porque quando estamos demasiados pisados já não nos conseguimos erguer, tal como um fóssil, estamos ali, não porque nos é confortável, mas apenas porque pensamos não caber em mais nenhum lado. E por vezes nos fazem crer disso» - tão verdade!

    Beijinho.

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  8. Dito desta maneira parece fácil Alice.
    Antes, agora, depois…
    Falta um empurrão :-)
    Gostei muito Alice.
    Parabéns

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  9. Obrigada. Com o empurrão podemos cair, mais vale caminhar, mas antes temos que querer.

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  10. A resposta da Alice fez-me lembrar a resposta do Joãozinho quando a mãe o mandou para a escola com Deus, e o menino tropeçou nas escadas.
    Deus, anda comigo mas não empurres!

    Bom resto de dia Alice.

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  11. É isso mesmo, só podemos verdadeiramente contar connosco.

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