NEE - A vida depois de criança

Esta é a sigla - NEE - com que se designam as crianças que frequentam a escola e têm apoios educativos diferentes das outras crianças a quem chamamos de normais. E o quer dizer NEE? Necessidades Educativas Especiais. É esta a forma como a sociedade os classifica. 


 


Por vezes olhamos para eles e parecem-nos perfeitamente capazes de desempenhar uma tarefa simples ou de ter um raciocínio lógico adequado e validado pela nossa sociedade. Mas acontece que o mundo deles é diferente do nosso. O seu pensamento pode ser menos complexo, simples até, sem maldade, com apenas a sabedoria da sobrevivência. 


 


Insistimos, exigindo o mesmo que aos outros, mas ao fim de algum tempo vemos que não resulta, não porque tenhamos falhado, mas porque realmente não existe esse propósito na vida deles. Estranhamos, desenvolvemos teorias, pensamos que é manha, mas não. São assim e ponto. Têm outro mundo que não o nosso, assustam-se facilmente e fogem. Fogem porque não compreendem o que os outros querem. 


 


Repetem-se vezes sem conta, e são poucos aqueles que os entendem. É difícil compreendermos o desconhecido, exige um esforço diário. Se forem crianças temos complacência, mas quando se tornam adultos não os conseguimos classificar. Querermos que se esforcem mais, que se responsabilizem pois já são adultos, têm corpo de adulto e de pessoa normal, porque continuam assim? Repetindo-se descuidadamente? Simplesmente porque a sua mente continua criança despreocupada, porque os adultos não são classificados como são as crianças.


 


Queríamos que tudo isto acabasse ao fim de algum tempo, tal como um braço partido se cura ao longo do tempo, mas não é possível, é muito mais que aparência, vai para além daquilo que conhecemos, pode não ser racional, assumimos verdades que desconhecemos, a isso chama-se - preconceito.

Comentários

  1. Lidamos muito mal com a diferença!

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  2. Com a entrada do Decreto 54 em vigor acabou-se com a designação de crianças com NEE ou necessidades educativas especiais. Muitos pais não gostavam de ver os seus filhos rotulados. Como mãe de um menino com autismo, prefiro que vejam o meu filho como uma criança com necessidades especiais , porque é uma realidade, e explicado às outras crianças elas entendem melhor e aceitam. Lidar com o preconceito, infelizmente é o pão nosso de cada dia, pois sendo o autismo fisicamente invisível , quando o meu filho está alterado, há sempre alguém pronto a ensinar-me como o educar...

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  3. A normalização não serve a ninguém, muito menos aos que não tem noção dos padrões onde os querem obedientes.

    Fala-se muito em tolerância para "os diferentes". Tende-se a esquecer que "a diferença" nem sempre está estampada na cara.

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  4. Padronizámos a sociedade através de amostras de estudo e esquecemos-nos que há muito para além disso.

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  5. A maioria das vezes olhar para o lado físico não nos dá qualquer pista daquilo que realmente deveríamos ver, será então ao longo do tempo que nos deparamos com atitudes e confirmações que julgámos mal. Isto confirma-se na realidade do nosso quotidiano seja ele real ou virtual. :-)

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  6. Sim, acabou-se oficiosamente, mas na realidade continuam a haver necessidades "especiais". Eu no meu local de trabalho tenho grande dificuldade em saber quem são estas crianças, muitas das vezes são os pais que escondem, outras são os professores que não nos dizem.

    Para mim isto complica mais do que enfrentarmos a realidade, porque aí teríamos outra atitude perante situações que acontecem e que muitas das vezes parecem não ter nexo.

    As crianças são as que mais compreendem a diferença, os adultos é que complicam tudo pondo-lhes as suas ideias na cabeça, criando preconceitos que levam à indiferença perante o outro. Eu teria tanto para falar sobre este assunto...

    Quanto ao preconceito: Nunca tenhas medo de o enfrentar, não há nada de mal na diferença, há mal é naqueles que não a vêem, que não têm empatia e por vezes são uns tristes, arrastam-se pela vida sem saber muito bem o que fazem aqui. Sei que muitas das vezes deve ser uma frustração, que é um caminho longo e penoso, coragem nunca desistas, que os frutos irão surgir. :-)

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  7. Penso que o ideal seria não julgar ninguém, bem ou mal, sem um maior conhecimento. A própria palavra, julgar, parece-me muito definitiva e pesada :)

    Mas há atitudes que podemos avaliar - e algumas são terríveis e fazem vítimas para além do próprio. A tolerância não pode ser confundida com condescendência - é comum sê-lo :(
    Cada caso é um caso. Oxalá tenhamos a serenidade para os identificar e distinguir. Com o tempo :)

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  8. Para mim a palavra julgar parece-me um acto de reflexão, que podemos alterar quando quisermos, assim tenhamos novos dados sobre o assunto. Estamos em constante julgamento. :)

    Concordo plenamente com o teu último parágrafo. O tempo é o maior e o melhor juiz. :-)

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  9. No meu caso o preconceito não é pela diferença, é por ela não ser visível. Quando o meu filho se deita no chão com uma crise sensorial, às pessoas que na sua maioria nem os filhos souberam educar,confundem com falta de educação e gostam de dar a sua achega. Alguns ouvem a explicação que o menino tem autismo e respondem:
    " Ah mas é tão bonito que nem se nota." ao que é comum eu responder que o autismo não tem rosto, é invsível. Desisitir: Nunca!!!!! Mas haja paciência para a mania das pessoas se meterem onde não são chamadas. Quanto ao decreto 54 e é um falso conceito de inclusão. Economicista e injusto que tem prejudicado centenas de crianças, mas que " cativou" todos com a cantilena de uma falsa inclusão, a dizer" ah e tal somos todos iguais.Ninguém é igual a ninguém!!!!". A inclusão não reside na igualdade, mas no respeito pela diferença, por isso dedico o meu blogue à causa do autismo, mas também às vitórias e conquistas do meu filho!!! e concordo plenamente consigo quando diz
    "Para mim isto complica mais do que enfrentarmos a realidade, porque aí teríamos outra atitude perante situações que acontecem e que muitas das vezes parecem não ter nexo. "
    Enfim beijinhos

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