
As pessoas estão a perder os sentido de humor? Muitas vezes me deparo com ter de me repetir para me fazer entender. Estamos a ficar de tal forma formatados que o humor e a ironia passaram a ser matéria que tem de ser ensinada. O pior é que as pessoas com sentido de humor são descredibilizadas, como se manter uma cara séria e carrancuda fosse um pressuposto de pessoa responsável e resiliente. E há quem acredite nisso. É pena não haver mais gaivotas por aí.

As ilustrações são de Vedran Klemens
as pessoas com sentido de ironia e de humor são aves raras... é bom encontrar de quando em vez um ente da mesma espécie
ResponderEliminarTenho lidado muito com a praga de caras-de-atum ultimamente... Se tenho. Se por um lado a minha "posição" permite conter muita dessa praga por outro começa a ser algo muito mais complicado porque tende a institucionalizar-se. Bom tópico, Alice. Penso que já falei sobre isso no meu espaço...
ResponderEliminarGosto dessa tua expressão de cara-de-atum, o pior vai ser eu lembrar-me disso perante um desses exemplares, vão logo perguntar-me: estás a rir-te de quê? E o que vou responder? Que esqueci-me da lata de atum para o almoço...
ResponderEliminarHá pouco tempo, publiquei a "Piadola" , precisamente porque existe un humor de cara séria, muitas vezes incompreendido.
ResponderEliminarnem mais!
ResponderEliminarGostei da "Piadola" conheço uma pessoa que tem desse humor, farto-me de rir quando conversamos, porque ela consegue ver pormenores hilariantes que escapam ao mero cara-de-atum.
ResponderEliminarPor exemplo, ou então dizer a verdade :-)
ResponderEliminarVivemos e valorizamos as aparências em demasia....
ResponderEliminarVou pensar nisso...
ResponderEliminarÉ tudo um jogo de luzes...
ResponderEliminarEu "gaivota " assumida,aqui me apresento.
ResponderEliminarSubscrevo tudo o que dizes e acrescento mais uma coisinha:
Era bom que as pessoas parassem de uma vez por todas com os rótulos .
Uma coisa é o que tu fazes no exercício das tuas funções profissionais.Se conseguires transportar o humor para o que fazes,ótimo, pois saem todos a ganhar.
É lamentável que as pessoas não percebam isso e associem o humor à falta de rigor no trabalho.
Outra coisa que me deixa fora de mim são aquelas pessoas que confundem a maluqueira com a disponibilidade. À vontade não é à vontadinha e ser bem disposta às vezes pode trazer equívocos.
Se a tua ideia for avante (haver uma disciplina de humor que devia ser ensinada) acho que encontraste aqui alguém capaz de desempenhar esse papel .
O sentido de humor, os trocadilhos, as anedotas, a brincadeira, o brejeirismo são coisa do passado. Isto porquê? Porqu o convivio pessoal, nos cafés nas tascas, deixou de existir no litoral português, demasiado ocupado com televisões, telemóveis, posts, facebook a criticar o piropo a brincadeira, seja com pessoas ou animais, é logo racismo, maus tratos e por aí fora.
ResponderEliminarSe formos a qualquer aldeia, e entramos num café ou numa tasca (que ainda as há, mas com este fanatismo regulatório ainda se proíbem porque vendem vinho e se fuma) é fácil falar com aquelas pessoas que não conhecemos de lado, mas que nos recebem logo com um bom dia, bem alto, olhos nos olhos.
Basta beber um café darmos um pouco de conversa para ficarmos logo alegres e se for uma cerveja ficamos ainda mais alegres.
ResponderEliminarEu também costumo utilizar essa máxima: à vontade não é à vontadinha, e digo-o muitas vezes, até entenderem, já passei por tolinha na opinião de certas pessoas, e já tive de ouvir que não podia ser assim, mas que fazer? Eu também tenho espírito de gaivota e as gaivotas gostam de liberdade.
É verdade, estamos a perder a espontaneidade, como se tivéssemos que estar sempre em alerta, isso reduz-nos a uma gaiola de acções e pensamentos, que na realidade é contra-natura, nos entristece e aprisiona. Talvez por isso tanta gente beba para ir a uma festa,note-se:não é beber na festa - é beber para ir para a festa, ou sinta na pele a depressão.
ResponderEliminarE sim fazem falta os convívios sociais entre pessoas sem estar em constante interligação com o mundo virtual, ainda ontem vi dois jovens, supostamente namorados, num restaurante, ela falava ao telemóvel e ele dedilhava o ecran do seu - perguntei-me: será que não têm nada de interessante para conversar? Ou estavam ali só para a fotografia?
Enfim, ainda bem que existem alguns resistentes, tenho esperança que isto mude, depois hão-de apresentar as conversas à mesa de um café como: "um novo conceito", tal como o fazem agora com as mercearias com venda a granel, como se isso nunca tivesse existido...
Tão verdade Alice mas felizmente dou-me bem com pessoas com sentido de humor apurado
ResponderEliminarQuem sabe se o novo conceito não serão as conversas gourmet.
ResponderEliminarÉ que o gourmet, pelo menos nos sabores de algumas coisas era o que eu comi na casa da minha avó no Algarve no final dos anos 60 principio dos anos 70.
Depois vieram os supermercados e tudo o que se fazia em casa passou a ser servido de bandeja de plástico. O pão era depositado num saco de pano, feito em casa, bordado em casa, mas depois não era higiénico.
As garrafs e garrafões de vidro eram devolvidas e recebia-se por isso, vasilhame, mas depois dava trabalho (lá está os custos) veio o plástico que agora se quer reduzir. a funcionar.
Depois era o azeite vendido ao litro, o vinho vendido ao litro, o grão o feijão vendido ao kilo, o sabão vendido à barra, ui mas eram garrafas sujas, os sacos de papel, a qualidade e higiene, vieram as embalagens de plástico.
E assim se perdeu o contacto (e o humor) com o merceeiro, com o pitrolino, com o talhante.
Melhores dias (humorísticos, espero) virão.